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Desapego não é ausência de afeto, diz Monja Coen sobre princípio budista

Mãe, avó e bisavó, Coen desmistificou a ideia de que o desapego significa ausência de afeto

Da redação
DA REDAÇÃO

22/02/2026 • 14:12 • Atualizado em 22/02/2026 • 14:12

Monja Coen

Monja Coen

Reprodução/Canal Livre

Em uma conversa profunda e reveladora no programa Canal Livre, a jornalista Adriana Araújo conduziu uma entrevista com a Monja Coen que tocou em um dos nervos mais sensíveis da experiência humana: o equilíbrio entre o amor maternal e o preceito budista do desapego.

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Mãe, avó e bisavó, Coen desmistificou a ideia de que o desapego significa ausência de afeto. Pelo contrário, para a líder espiritual, o desapego é o que permite que o amor respire e que as identidades individuais não sejam sufocadas pelas expectativas familiares.

Amor sem "cola"

Questionada por Adriana sobre como conciliar a dádiva de formar um ser humano com a necessidade de soltá-lo, a Monja utilizou uma metáfora tátil para explicar sua visão:

"O apego é como se você tivesse passado cola ou mel na mão. Se eu gosto tanto de um copo que o seguro com as duas mãos e ele gruda, eu não consigo pegar mais nada. Estou presa", explicou Coen. "Praticar o desapego não é não segurar o copo, é não ficar presa a ele."

Para a Monja, essa filosofia se aplica diretamente à rotina. Ela revelou que, embora mantenha uma relação de carinho com a filha, seu compromisso primordial — seu voto — é com o Dharma (a lei verdadeira). Isso significa que liturgias e ensinamentos muitas vezes têm prioridade sobre festas de aniversário ou reuniões familiares. "Minha filha aprendeu que a mãe dela tem uma missão, assim como um médico ou um jornalista que não pode estar presente em uma data festiva porque precisa atender um paciente ou cobrir um fato", afirmou.

A trajetória de Coen até o zen-budismo não foi linear. Adriana Araújo relembrou que a Monja foi mãe muito jovem, aos 17 anos, em uma época de repressão familiar e social. Coen compartilhou memórias de um período de isolamento, onde o pai, figura rigorosa, tentava controlar seus passos e esconder sua condição de mãe solteira.

"Vivia uma situação muito rara, não tinha amigas, ninguém podia ir à minha casa", relembrou. O ponto de virada veio através de duas figuras cruciais: o psiquiatra José Angelo Gaiarsa e o jornalismo.

A Ruptura com os Papéis: Gaiarsa a incentivou a abandonar as "fórmulas" de família (o que uma mãe ou filha deve ser) para descobrir quem ela era de fato.

A Independência: Incentivada por amigos, Coen buscou o sustento próprio para sair de casa, ingressando na redação do Jornal da Tarde, onde iniciou sua carreira antes de abraçar a vida monástica.

"Ser mãe não é deixar de ser você"

A Monja recordou com ternura os dois anos em que se dedicou exclusivamente à filha — lavando fraldas de pano e fazendo tricô —, definindo o período como uma "benção". No entanto, reforçou que a maternidade não deve ser uma prisão de identidade.

Ao final da entrevista, ficou o ensinamento de que o amor mais profundo não é aquele que retém, mas aquele que permite que o outro — e si mesmo — siga o próprio caminho. Para Coen, o desapego é, na verdade, a ferramenta que permite que o afeto seja livre, sem as amarras das cobranças e das projeções.

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O Canal Livre vai ao ar neste domingo (22), às 20h, na BandNews TV e no canal Band Jornalismo no YouTube. Mais tarde, o programa vai ao ar na tela da Band.