Canal Livre

Diplomata fala sobre influência de Trump e o xadrez político no acordo de paz para Gaza

Rubens Barbosa debate o papel de Donald Trump nas negociações de cessar-fogo e aponta que, apesar da pressão, a proposta atual reflete os interesses de Israel e enfrenta grandes obstáculos para ser aceita pelo Hamas

Da redação
DA REDAÇÃO

05/10/2025 • 23:31 • Atualizado em 05/10/2025 • 23:31

A mudança de postura do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em relação a um acordo de cessar-fogo em Gaza, tem sido um dos temas centrais nas análises sobre o conflito. Durante um debate no programa "Canal Livre", da Band News, a jornalista Beatriz Ferrete destacou a aparente contradição entre o discurso linha-dura de Netanyahu na Assembleia Geral da ONU e sua posterior disposição para negociar, após um encontro com o ex-presidente americano Donald Trump.

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Ferrete questionou qual teria sido a "negociação na Casa Branca" que levou Netanyahu a reconsiderar sua posição, lembrando que, dias antes, ele havia prometido "terminar o serviço contra o Hamas". A jornalista também mencionou a ambição declarada de Trump em ganhar o Prêmio Nobel da Paz como um possível incentivo para sua mediação.

O diplomata Rubens Barbosa ofereceu uma análise pragmática, sugerindo que o plano de paz foi elaborado "a quatro mãos" entre os Estados Unidos e Israel. "Se você lê o plano, você vê que toda a responsabilidade está do lado do Hamas", afirmou, explicando que a proposta exige que o Hamas se desarme e se torne uma entidade civil, mas não oferece garantias concretas em troca, como um cronograma para a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza.

Barbosa ressaltou que o plano também não menciona a questão crucial da Cisjordânia, um ponto que o Hamas certamente exigiria em uma negociação. "Israel disse que não vai aceitar os dois Estados", completou, indicando que a proposta, em sua forma atual, contradiz a política pública do governo israelense em vários aspectos, o que tornaria difícil sua aceitação interna.

Segundo o diplomata, o Hamas só aceitaria se desarmar após a retirada completa de Israel do território, uma condição que não está garantida no plano. Ele concluiu que, sem uma negociação genuína que aborde essas questões, o acordo provavelmente não avançará, pois foi estruturado como um ultimato ao Hamas.

A discussão revela a complexa teia de interesses que moldam o conflito. Enquanto a pressão internacional e o desespero da população palestina clamam por um cessar-fogo, as condições impostas pela proposta de paz refletem uma visão alinhada aos interesses de Israel, tornando um acordo duradouro um desafio monumental. A influência de figuras como Donald Trump pode acelerar o diálogo, mas as concessões fundamentais de ambos os lados permanecem como o maior obstáculo para a paz.