
Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, analisou os desafios da segurança pública e a tramitação do projeto de lei antifacção no Congresso Nacional durante sua participação no Canal Livre.
Rodrigues expressou preocupação com a velocidade da aprovação do texto na Câmara dos Deputados e alertou para a necessidade de garantir a capacidade orçamentária da instituição no combate ao crime organizado.
Rodrigues classificou o andamento da proposta na primeira casa legislativa como acelerado, o que, segundo ele, pode ter prejudicado o debate técnico necessário para um tema de tamanha complexidade.
“Na verdade, esse projeto tramitou na primeira casa parlamentar [Câmara] de maneira, eu diria, muito rápida e sem a necessária maturação”, afirmou o diretor-geral.
Agora, com a matéria sob análise do Senado e sob a relatoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o chefe da PF vê uma oportunidade para o aprimoramento do texto. Ele confirmou já ter iniciado diálogos com lideranças parlamentares para expor as necessidades da corporação.
Orçamento e capacidade de investimento
Um dos pontos centrais levantados por Andrei Rodrigues diz respeito ao financiamento da segurança pública. O diretor foi enfático ao defender que qualquer alteração legislativa deve caminhar no sentido de fortalecer, e não enfraquecer, a estrutura financeira da Polícia Federal.
Para Rodrigues, o momento exige um movimento inverso ao de cortes ou restrições. “O financiamento é óbvio que é um ponto central para a Polícia Federal e para a segurança pública como um todo. Precisamos ter um caminho de ampliar a nossa capacidade orçamentária para poder fazer mais e melhor”, declarou.
A preocupação reflete o temor de que novas legislações possam impor atribuições sem a contrapartida de recursos, ou mesmo retirar fundos essenciais para operações de grande porte, que são a marca da atuação da PF contra facções criminosas.
Integração e cooperação internacional
Além da questão financeira, o diretor-geral destacou aspectos técnicos e operacionais que precisam ser preservados no texto final da lei. Ele citou especificamente o modelo das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), que unem esforços federais e estaduais.
Segundo Rodrigues, é fundamental manter um desenho institucional que favoreça a integração permanente com as 27 unidades da federação. Outro ponto considerado "muito caro à instituição" é a cooperação internacional.
O diretor reforçou que a articulação com outros países é uma competência da União e que a Polícia Federal já possui uma rede internacional estabelecida, essencial para desmantelar organizações que atuam de forma transnacional.
Apesar das críticas ao rito na Câmara, Rodrigues demonstrou otimismo quanto à etapa atual no Senado. Ele revelou ter recebido um ofício do relator, senador Alessandro Vieira, solicitando formalmente as contribuições da Polícia Federal para o projeto.
“Tenho dialogado bastante. Conversei com o presidente Hugo Motta, sempre muito acessível para ouvir as necessidades da nossa instituição. Eu acho que haverá espaço para o diálogo nas duas casas e é assim que nós pretendemos avançar”, concluiu o diretor-geral.
A entrevista completa abordou ainda outros temas relevantes da segurança nacional e a estratégia da PF para os próximos anos. O Canal Livre vai ao ar aos domingos, na tela da Band.
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