Canal Livre

Especialista aponta para reconfiguração do Hamas e futuro político em Gaza

Professor Leonardo Trevisan sugere que, com o Irã enfraquecido, o Hamas pode estar sendo pressionado por nações árabes a buscar uma saída política, enquanto o futuro do grupo e da região permanece em aberto

Da redação
DA REDAÇÃO

05/10/2025 • 22:09 • Atualizado em 05/10/2025 • 22:09

Em um cenário de intensas negociações de cessar-fogo, o futuro do Hamas e da Faixa de Gaza é um dos pontos mais críticos em discussão. Durante o programa "Canal Livre", da BandNews, a jornalista Beatriz Ferrete levantou questões fundamentais sobre o destino dos combatentes do Hamas e a possibilidade de reorganização do grupo, caso uma anistia seja concedida.

Compartilhar

O professor de Relações Internacionais, Leonardo Trevisan, abordou o tema, sugerindo que o contexto geopolítico está empurrando o Hamas para uma reavaliação de sua estratégia. Com o Irã, seu principal financiador, "enfraquecido" e agindo como um "tigre sem dentes" devido às ações de Israel e à influência da China, o Hamas pode estar sendo "convidado" por países árabes moderados a se reconstruir de uma forma diferente.

"Isso não é novo em qualquer grupo terrorista. Os grupos terroristas começam assim até ter uma saída política", explicou Trevisan, citando o exemplo de Menachem Begin, que passou de líder de um grupo armado a primeiro-ministro de Israel e ganhador do Prêmio Nobel da Paz. "O Hamas pode cumprir este percurso", ponderou.

Apesar da vitória militar de Israel, que eliminou 90% das lideranças militares do Hamas, Trevisan destacou que a destruição de apenas 40% dos túneis garante a "sobrevivência militar" do grupo. Isso, segundo ele, torna a solução puramente militar inviável, forçando uma saída política.

Para o professor, o quadro atual é pressionado por múltiplos fatores: a mudança na opinião pública americana, a proximidade das eleições nos EUA e a crescente crise humanitária em Gaza. Nesse contexto, a proposta de paz, embora impositiva, inclui elementos que podem moldar o futuro da região, como a entrega de ajuda humanitária coordenada pela ONU e a criação de uma "zona tampão" controlada por Israel dentro de Gaza.

A longo prazo, a possibilidade de um Estado palestino ou de alguma forma de "autodeterminação", como sugerido pela Arábia Saudita e pela França, permanece na mesa. Segundo Trevisan, a sociedade israelense está dividida, com um crescente cansaço da guerra, especialmente no setor tecnológico e econômico.

A "opção Netanyahu", para ele, "é uma opção de ontem", indicando que a pressão interna e externa pode forçar uma nova direção política, tanto para Israel quanto para os palestinos. A questão central, no entanto, permanece: quem dará o suporte necessário para que o Hamas se transforme e qual será o seu papel na futura governança de Gaza.