Canal Livre

Especialistas quebram estigmas da obesidade: “Ex-obeso não existe”

A nutróloga Marcella Garcez e o cirurgião Ricardo Cohen analisam como as novas medicações, como a Semaglutida, estão revolucionando a medicina e por que a obesidade deve ser tratada como uma condição sem cura, mas com controle rigoroso

Da redação
DA REDAÇÃO

21/03/2026 • 21:40 • Atualizado em 21/03/2026 • 21:40

O debate sobre o tratamento da obesidade ganhou novos contornos no programa Canal Livre. Ao abordar o fim da patente da Semaglutida e a eficácia das chamadas "canetas emagrecedoras", os especialistas convidados foram enfáticos: é preciso mudar a forma como a sociedade e a própria medicina enxergam o paciente com excesso de peso.

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A médica nutróloga Marcella Garcez iniciou sua participação com uma afirmação que desafia o senso comum: "O ex-obeso não existe". Segundo a especialista, a obesidade é uma doença crônica, complexa e altamente prevalente que, tecnicamente, não possui cura definitiva.

"Essa pessoa [o ex-obeso] é portadora sempre de uma doença crônica... mas a boa notícia é que tem tratamento e controle", explicou a Dra. Marcella.

Para ela, o uso das canetas injetáveis deve ser visto como uma ferramenta de gestão de longo prazo, e não como uma solução passageira para um problema estético.

Uma Revolução que "Muda a Vida"

Complementando a visão clínica, o especialista em obesidade Ricardo Cohen destacou o impacto transformador dos novos fármacos na saúde sistêmica do paciente. "Eu utilizaria essa medicação porque ela muda a vida", afirmou Cohen, listando uma série de benefícios que vão muito além da balança.

De acordo com o médico, ao controlar a obesidade na raiz, observa-se uma redução drástica em outras complicações graves:

"Não tem mais CPAP porque não tem mais apneia do sono, o diabetes melhora, os casos de AVC caem de número, infartos caem de número, as diálises caem de número". Cohen ainda ressaltou que essas substâncias agem diretamente no hipotálamo, reduzindo inclusive a adição a drogas e ao álcool.

O Combate ao Estigma da Culpa

Um dos pontos mais sensíveis tocados pelos especialistas foi o preconceito que ainda cerca o tratamento. Ricardo Cohen criticou a "pecha de culpa" imposta ao indivíduo obeso. "Sempre que tem um tratamento para a obesidade, vem aquela ideia de que o indivíduo é um 'safado' que não sabe comer ou fazer exercício. O que é mentira", pontuou.

Ele comparou os efeitos colaterais das canetas aos das estatinas (usadas para colesterol), lembrando que, embora existam riscos, o benefício de prevenir mortes cardiovasculares é infinitamente superior. "O benefício é muito maior", reforçou o médico.

Medicina de Precisão

Com a perspectiva da chegada de genéricos da Semaglutida após o fim da patente, os especialistas acreditam em uma democratização do acesso a uma medicina de precisão, onde o tratamento é individualizado conforme a gravidade de cada caso.