Prestes a completar 125 anos de história, o Instituto Butantan reafirma sua posição como o maior pilar da produção de imunobiológicos na América Latina. Em uma participação recente no programa Canal Livre, o diretor do instituto, o infectologista Esper Kallás, traçou um panorama sobre o futuro da biotecnologia no Brasil, os avanços em tratamentos contra o câncer e os riscos iminentes que rondam a saúde global.
Kallás iniciou sua fala traçando um paralelo histórico ambicioso: a revolução que o Brasil viveu na agricultura há algumas décadas pode e deve ser replicada no setor de biotecnologia. "A revolução que o Brasil teve na sua agricultura, nós podemos ter hoje dentro da nossa biotecnologia", afirmou o diretor.
Atualmente, o Butantan é responsável por 65% de todas as vacinas distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e por 100% dos imunizantes contra a influenza (gripe) aplicados no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Esses números consolidam a instituição não apenas como uma fabricante, mas como uma garantia de soberania nacional em saúde pública.
A Ameaça do Movimento Antivacina
Um dos pontos mais sensíveis da entrevista foi o impacto da "onda antivacina" na ciência brasileira. Questionado sobre o risco de a ciência ser "contaminada" por essa tendência, Kallas admitiu que o perigo existe, mas ressaltou a resiliência do sistema brasileiro.
"Embora o Brasil parta de uma situação um pouco mais privilegiada, porque somos receptivos à vacinação e às políticas públicas de saúde, esse risco sempre existe", alertou.
O diretor destacou que o SUS é uma ferramenta fundamental para manter a adesão da população, mas que o corte em investimentos e a desinformação podem frear o acesso a novas tecnologias.
Novas Fronteiras: Câncer e Pandemias
O Butantan também está expandindo seu know-how para além das vacinas tradicionais. Cynthia Martins levantou o tema das pesquisas contra o câncer, e Kallas detalhou o trabalho com anticorpos monoclonais. Esses medicamentos estimulam o sistema imunológico do próprio paciente a combater as células cancerígenas, podendo ser aplicados em diversos tipos da doença, o que representa um salto na medicina personalizada.
O jornalista Fernando Mitre questionou sobre a ameaça da gripe aviária na América Latina. Kallas confirmou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e laboratórios globais, incluindo o Butantan, monitoram a situação com extrema atenção. "A preocupação da OMS sempre foi, como maior causa de pandemia, a gripe", explicou, reforçando que a preparação antecipada é a única forma de evitar crises sanitárias como a vivida recentemente.
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