A obesidade consolidou-se como um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil, atingindo atualmente um em cada três cidadãos. No entanto, o debate promovido pelo programa Canal Livre revela que a carga genética não é um destino imutável. O médico Ricardo Cohen e a nutróloga Marcella Garcez discutiram como a epigenética — a mudança na expressão dos genes por fatores externos — permite que hábitos saudáveis silenciem predisposições genéticas ao ganho de peso.
Segundo a análise técnica apresentada, o ambiente, a qualidade da alimentação, a prática regular de exercícios e até o controle do estresse impactam diretamente a forma como o organismo responde ao DNA. Isso significa que, mesmo para indivíduos com histórico familiar de obesidade, o estilo de vida atua como uma ferramenta capaz de "modificar" a resposta biológica, servindo como uma estratégia de prevenção primária.
Além do IMC: Obesidade clínica vs. pré-clínica
Um dos pontos centrais da discussão foi a necessidade de superar o Índice de Massa Corporal (IMC) como único critério para intervenção médica. Os especialistas introduziram a diferenciação entre a obesidade pré-clínica e a clínica para orientar o tratamento adequado:
- Obesidade Pré-Clínica: Caracteriza-se por indivíduos com IMC elevado, mas que mantêm plena funcionalidade e saúde metabólica. O Dr. Ricardo exemplificou com o caso de pacientes que, apesar do peso, mantêm rotinas de alta performance física e ausência de comorbidades. Nestes cenários, o foco deve ser a manutenção de bons hábitos, sem a necessidade imediata de fármacos.
- Obesidade Clínica: Ocorre quando o excesso de peso está associado a doenças como diabetes, hipertensão, apneia do sono ou problemas articulares graves. Para este grupo, que representa entre 20% e 30% da população brasileira, a intervenção médica com medicamentos ou cirurgias torna-se prioritária para garantir a longevidade.
O papel dos medicamentos e a base do tratamento
Embora medicamentos modernos e procedimentos cirúrgicos sejam considerados coadjuvantes excelentes e muitas vezes necessários para casos graves, os médicos foram enfáticos ao afirmar que o remédio não substitui o estilo de vida. A ciência demonstra que o uso isolado de fármacos, sem a mudança de comportamento, não sustenta os resultados a longo prazo.
A conclusão do painel de especialistas reforça que a prevenção, iniciada preferencialmente antes da instalação de patologias, é a via mais eficaz. A tríade composta por alimentação de qualidade, atividade física e higiene do sono permanece como o pilar central para gerenciar a saúde de forma independente das predisposições genéticas.
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