O conflito entre Estados Unidos e Irã provocou uma transformação no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio e como resultado as grandes discussões sobre os rumos da região deixaram de passar por Washington. Isso é o que aponta o programa Canal Livre, que vai ao ar na noite deste domingo (21), na Band e na BandNews.
Na avaliação do professor de relações interncionais Leonardo Trevisan, a nova e incontestável grande referência no Oriente Médio é a China, não mais os Estados Unidos.
O sinal mais claro dessa mudança de poder ocorreu em maio, quando os chanceleres de todos os países árabes moderados viajaram a Pequim. O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman, por exemplo, por exemplo, foi pessoalmente à capital chinesa.
Na avaliação do professor, a escolha estratégica dessas nações não passa mais pelo Acordo de Abraão, desenhado pelos americanos, mas, sim, pela busca de um diálogo com quem tem capacidade de influência real no atual xadrez regional, em especial com quem tem poder de conter e influenciar o Irã.
A escolha dos países árabes está se desenhando cada vez mais. Vamos conversar direto com o Irã? Vamos conversar com quem segura o Irã? Quem é que segura o Irã? É a China. - Leonardo Trevisan
O país tornou-se o grande alicerce econômico de Teerã. Além de comprar o petróleo iraniano, é o governo chinês que fornece todos os insumos industriais de que o país carece. Com essa enorme alavancagem comercial, a China esteve por trás da reabertura de diálogos na região, consolidando seu papel de nova mediadora.
Israel e a nova ordem global
Enquanto a diplomacia internacional se reconfigura no eixo oriental, a dinâmica local mantém suas tensões. Após conflitos recentes, avalia-se que tanto o Irã quanto Israel saíram politicamente fortalecidos.
Do lado israelense, o projeto da "Grande Israel" avança, sendo sustentado pelos grupos ultraortodoxos que mantêm Benjamin Netanyahu no poder, e paradoxalmente endossado também pelos seus principais opositores, como Yair Lapid e Naftali Bennett.
No entanto, a consolidação da liderança asiática na região ofusca as antigas alianças ocidentais. A presença da China no Oriente Médio representa uma alteração estratégica de proporções drásticas, alterando a ordem global e impactando diretamente a economia mundial.
O Canal Livre vai ao ar neste domingo (21), às 20h na BandNews e às 23h na Band. Além de Leonardo Trevisan, outro especialistas convidado é o também professor de relações internacionais Sidney Leite. O debate conta com os jornalistas Fernando Mitre e Thaís Dias e apresentação de Rodolfo Schneider.
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