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Quais são os próximos passos do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã?

Negociações na Suíça definem cronograma de 60 dias, Ormuz e supervisão nuclear da AIEA

Da redação
DA REDAÇÃO

18/06/2026 • 12:54 • Atualizado em 18/06/2026 • 12:57

Estados Unidos e Irã iniciam nesta quinta-feira, em território suíço, a fase de implementação do acordo de paz assinado pelos presidentes dos dois países, que encerra o conflito iniciado em 28 de fevereiro após ataques de Israel e dos EUA contra o Irã, segundo confirmou o Ministério das Relações Exteriores da Suíça nesta quinta-feira (18).

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Implementação começa na Suíça

De acordo com a chancelaria suíça, as delegações dos dois países vão detalhar, a partir desta sexta, como aplicar as medidas previstas no memorando de entendimento. O cronograma inicial é de pelo menos 60 dias, com possibilidade de prorrogação.

As conversas ocorrerão sob mediação de Paquistão e Catar e contarão com negociadores de alto escalão de Washington e Teerã. O objetivo é transformar o texto político já assinado em um conjunto de mecanismos operacionais e verificáveis.

Status do conflito e tratado final

Apesar da assinatura, o acordo atual não encerra definitivamente as pendências entre os dois países. Um tratado final ainda depende de novas rodadas de negociação e deverá ser submetido à ratificação do Conselho de Segurança da ONU.

Até a conclusão desse processo, as partes concordaram em manter o chamado status quo. Nesse período, o Irã preserva seu programa nuclear nos termos atuais, enquanto os Estados Unidos se comprometem a não impor novas sanções nem ampliar sua presença militar no Oriente Médio.

Estreito de Ormuz e sanções econômicas

Entre os primeiros pontos da implementação está a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. A passagem foi impactada durante o conflito e será objeto de definição operacional, incluindo regras de navegação e eventuais mecanismos de cobrança.

O acordo também prevê a suspensão gradual das sanções econômicas contra o Irã, com foco no setor de energia. Se houver avanço para um tratado definitivo, os Estados Unidos se comprometem a eliminar integralmente as restrições, permitindo a retomada plena das exportações de petróleo iraniano.

Programa nuclear sob supervisão da AIEA

O núcleo das negociações envolve o programa nuclear iraniano. O protocolo prevê a diluição do urânio enriquecido sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a criação de mecanismos de verificação e controle, que serão detalhados ao longo da fase técnica.

A AIEA estima que o Irã mantinha cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60% antes da escalada do conflito, nível próximo ao necessário para a produção de uma arma nuclear. A agência deverá participar diretamente da definição das etapas operacionais e dos procedimentos de inspeção.

Fundo de reconstrução e ativos iranianos

O entendimento ainda prevê a criação de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões para o pós-guerra e a liberação de ativos iranianos mantidos no exterior. O fundo deverá financiar projetos de infraestrutura, energia e serviços essenciais.

As condições de financiamento, gestão e execução desse mecanismo financeiro serão definidas nas próximas rodadas de negociação, em paralelo à implementação das demais cláusulas técnicas do acordo.

Com informações do Estadão Conteúdo.