Estados Unidos e Irã iniciam nesta quinta-feira, em território suíço, a fase de implementação do acordo de paz assinado pelos presidentes dos dois países, que encerra o conflito iniciado em 28 de fevereiro após ataques de Israel e dos EUA contra o Irã, segundo confirmou o Ministério das Relações Exteriores da Suíça nesta quinta-feira (18).
Implementação começa na Suíça
De acordo com a chancelaria suíça, as delegações dos dois países vão detalhar, a partir desta sexta, como aplicar as medidas previstas no memorando de entendimento. O cronograma inicial é de pelo menos 60 dias, com possibilidade de prorrogação.
As conversas ocorrerão sob mediação de Paquistão e Catar e contarão com negociadores de alto escalão de Washington e Teerã. O objetivo é transformar o texto político já assinado em um conjunto de mecanismos operacionais e verificáveis.
Status do conflito e tratado final
Apesar da assinatura, o acordo atual não encerra definitivamente as pendências entre os dois países. Um tratado final ainda depende de novas rodadas de negociação e deverá ser submetido à ratificação do Conselho de Segurança da ONU.
Até a conclusão desse processo, as partes concordaram em manter o chamado status quo. Nesse período, o Irã preserva seu programa nuclear nos termos atuais, enquanto os Estados Unidos se comprometem a não impor novas sanções nem ampliar sua presença militar no Oriente Médio.
Estreito de Ormuz e sanções econômicas
Entre os primeiros pontos da implementação está a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. A passagem foi impactada durante o conflito e será objeto de definição operacional, incluindo regras de navegação e eventuais mecanismos de cobrança.
O acordo também prevê a suspensão gradual das sanções econômicas contra o Irã, com foco no setor de energia. Se houver avanço para um tratado definitivo, os Estados Unidos se comprometem a eliminar integralmente as restrições, permitindo a retomada plena das exportações de petróleo iraniano.
Programa nuclear sob supervisão da AIEA
O núcleo das negociações envolve o programa nuclear iraniano. O protocolo prevê a diluição do urânio enriquecido sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a criação de mecanismos de verificação e controle, que serão detalhados ao longo da fase técnica.
A AIEA estima que o Irã mantinha cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60% antes da escalada do conflito, nível próximo ao necessário para a produção de uma arma nuclear. A agência deverá participar diretamente da definição das etapas operacionais e dos procedimentos de inspeção.
Fundo de reconstrução e ativos iranianos
O entendimento ainda prevê a criação de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões para o pós-guerra e a liberação de ativos iranianos mantidos no exterior. O fundo deverá financiar projetos de infraestrutura, energia e serviços essenciais.
As condições de financiamento, gestão e execução desse mecanismo financeiro serão definidas nas próximas rodadas de negociação, em paralelo à implementação das demais cláusulas técnicas do acordo.
Com informações do Estadão Conteúdo.
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