Canal Livre

Flávio compara medida cautelar ao AI-5 e critica decisões de Moraes

Em entrevista ao programa Canal Livre, o senador argumentou que a proibição de manifestações políticas imposta a Jair Bolsonaro fere garantias constitucionais da República

Da redação
DA REDAÇÃO

02/08/2026 • 09:00 • Atualizado em 02/08/2026 • 09:00

Flávio Bolsonaro é oficializado candidato à Presidência pelo PL

Flávio Bolsonaro é oficializado candidato à Presidência pelo PL

Aloisio Mauricio/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O senador e pré-candidaro à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, criticou duramente as decisões judiciais e medidas cautelares impostas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante participação no programa Canal Livre, o parlamentar afirmou que as determinações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) extrapolam os limites constitucionais e equiparou a proibição de manifestação política das restrições impostas ao ex-mandatário aos períodos mais rígidos de exceção no Brasil, fazendo menção explícita ao Ato Institucional nº 5 (AI-5).

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O senador sustentou que o ex-presidente nunca praticou atos institucionais ou descumpriu ordens judiciais ao longo de seu mandato no Poder Executivo. Segundo o parlamentar, eventuais declarações mais incisivas e reações de Jair Bolsonaro decorreram de provocações constantes e interferências de outros poderes em atribuições exclusivas do seu governo.

Críticas a Alexandre de Moraes e alegação de perseguição

Ao contextualizar a relação do ex-mandatário com o Poder Judiciário, Flávio Bolsonaro ressaltou episódios do início do governo anterior, como a decisão do ministro Alexandre de Moraes que impediu a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para a chefia da Polícia Federal. Para o senador, a interferência em uma prerrogativa exclusiva do Poder Executivo, concedida apenas quatro meses após a posse, foi um marco de atrito institucional promovido por decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal.

O parlamentar argumentou que atuou ativamente nos bastidores políticos e no meio de campo institucional para pacificar a relação entre os Poderes. Segundo o parlamentar, o empenho buscava demonstrar aos ministros da Suprema Corte e aos integrantes do Poder Legislativo que o perfil militar de Jair Bolsonaro não representava risco de ruptura democrática ou de golpe militar, narrativa que ele classificou como uma construção criada pela oposição desde a campanha eleitoral de 2018.

Repercussão sobre os limites da democracia

Para o parlamentar, Jair Bolsonaro transformou-se no símbolo da ausência de plena democracia no cenário atual. Flávio argumentou que o direito de liberdade de expressão e de manifestação política sempre foi assegurado no texto constitucional e garantiu que nenhum detido ou investigado na história recente do país esteve sujeito a restrições que impedissem manifestações públicas ou a escrita de cartas.

Flávio Bolsonaro concluiu defendendo que a proibição de manifestações políticas imposta a um líder oposicionista não encontra paralelo na história recente da República e atinge princípios fundamentais da Constituição.