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Luiz Felipe Pondé analisa dificuldade das novas gerações em lidar com a frustração

Durante o programa "Canal Livre", Pondé argumentou que o excesso de escolhas e a ilusão de controle sobre a vida são as principais fontes da ansiedade contemporânea

Da redação
DA REDAÇÃO

25/10/2025 • 18:35 • Atualizado em 25/10/2025 • 18:35

Luiz Felipe Pondé analisa dificuldade das novas gerações em lidar com a frustração

Luiz Felipe Pondé analisa dificuldade das novas gerações em lidar com a frustração

Reprodução/Band

Em uma profunda reflexão sobre a condição humana na modernidade, o filósofo Luiz Felipe Pondé discutiu a relação entre existencialismo, angústia, e a crescente dificuldade das novas gerações em lidar com a frustração. Durante o programa "Canal Livre", Pondé argumentou que o excesso de escolhas e a ilusão de controle sobre a vida são as principais fontes da ansiedade contemporânea.

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O debate foi iniciado pelo jornalista Fernando Mitre, que trouxe à tona o conceito de angústia do filósofo Søren Kierkegaard. Pondé explicou que, para Kierkegaard, a angústia surge da liberdade de ter "infinitas possibilidades de escolha" e o constante medo de tomar a decisão errada. Ele expandiu o conceito para o existencialismo moderno, citando Jean-Paul Sartre e a famosa máxima "a existência precede a essência", que postula que os seres humanos são lançados em um mundo sem sentido pré-definido. "Não há sentido no mundo", afirmou Pondé, sublinhando que essa ausência de um propósito intrínseco obriga o indivíduo a criar seu próprio caminho.

A discussão então se aprofundou na forma como essa filosofia se manifesta na vida cotidiana. Pondé argumentou que a modernidade intensificou a "condenação à liberdade" de Sartre ao destruir as estruturas tradicionais que antes guiavam as escolhas das pessoas. "A modernidade transformou tudo numa escolha de desodorante. Você tem que escolher o tempo inteiro", disse ele, explicando que essa pressão constante para decidir sobre todos os aspectos da vida — carreira, relacionamentos, moradia — gera uma angústia inescapável.

O debate também abordou a crescente dificuldade das gerações mais novas em lidar com a frustração, um tema que ganhou relevância no pós-pandemia com o aumento de problemas de saúde mental entre jovens. Pondé criticou a ideia de que as frustrações vividas por gerações anteriores eram "valorizadas" como formadoras de caráter. Segundo ele, essas frustrações simplesmente "estavam ali", eram uma consequência inevitável de um mundo com menos recursos, menos ferramentas e menos opções.

"Não é porque os pais das gerações anteriores diziam: 'não, eu vou frustrar meu filho para ele formar caráter'. De jeito nenhum!", esclareceu o filósofo. "É porque você tinha menos ferramentas para garantir menos realização de desejo desses filhos, menos realização de mecanismos de segurança, menos chances de oferecer escolhas."

Pondé vê a preocupação atual dos pais em "dosar" a frustração dos filhos como uma "discussão artificial" e uma "prótese falsa". Ele argumenta que essa atitude reflete uma ilusão de controle sobre a vida, a crença de que é possível gerenciar a existência para evitar o sofrimento. "No fundo, nenhum pai e nenhuma mãe vai querer que o filho fique frustrado", disse ele, explicando que a tentativa de controlar a formação do caráter dos filhos através da frustração programada é uma falácia.

Ele conclui que, apesar de a frustração poder, de fato, ajudar a distinguir o necessário do efêmero, a obsessão moderna pelo controle da vida e a evitação do desconforto criam um paradoxo: a busca incessante pela felicidade e pela ausência de frustração acaba, ironicamente, gerando ainda mais angústia e infelicidade.

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