Canal Livre

Misoginia é manifestação de ódio e pode vir disfarçada, diz promotora

Uma das estratégias mais perigosas apontadas por Valéria Scarance é o uso do humor e do vitimismo. Ela detalhou como autores de violência tentam inverter papéis perante a justiça

Da redação
DA REDAÇÃO

29/03/2026 • 20:06 • Atualizado em 29/03/2026 • 20:06

No programa Canal Livre, a promotora de Justiça Valéria Scarance trouxe uma análise sobre as raízes da misoginia. Para a especialista, o ódio às mulheres nem sempre é escancarado, muitas vezes opera de forma disfarçada, guardando semelhanças com o racismo.

Compartilhar

Scarance explicou que uma ofensa direcionada a uma mulher por sua condição de gênero configura crime de injúria, com pena de dois a cinco anos. Ela alerta para a gravidade da propagação desse sentimento: "Além do crime individual, tem esse crime que protege a sociedade, que é disseminar, divulgar essas informações, esse ódio às mulheres".

Durante o debate, a promotora foi enfática sobre a resistência cultural em aceitar a autonomia feminina. Para ela, o desrespeito ao "não" é o cerne da violência de gênero.

Uma das estratégias mais perigosas apontadas por Scarance é o uso do humor e do vitimismo. Ela detalhou como autores de violência tentam inverter papéis perante a justiça: "Os homens autores de violência se fazem de vítimas, todos. Meus réus sempre são os injustiçados".

Sobre o deboche, a promotora destacou que ele serve como ferramenta de silenciamento. "O humor é uma estratégia terrível, porque ninguém se defende do humor. Para você desconstruir alguma coisa, você ridiculariza... é tudo piada. Não é piada!", concluiu, alertando que o que muitos chamam de "brincadeira" é, na verdade, violência psicológica.