Canal Livre

Não estou otimista, diz diplomata sobre negociação de cessar-fogo em Gaza

Enquanto negociações ocorrem no Egito, diplomata Rubens Barbosa analisa que a proposta de paz é unilateral e dificilmente levará ao fim do conflito, em meio a novos bombardeios israelenses na região

Da redação
DA REDAÇÃO

05/10/2025 • 20:34 • Atualizado em 05/10/2025 • 20:34

Durante participação no Canal Livre deste domingo (5), o diplomata e ex-embaixador do Brasil em Londres e em Washington, Rubens Barbosa, falou sobre a atual proposta de cessar-fogo na Faixa de Gaza e acha que o Hamas não vai aceitar o plano.

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Em um fim de semana marcado por novos bombardeios de Israel que resultaram na morte de pelo menos 19 palestinos, os esforços diplomáticos para um cessar-fogo em Gaza continuam no Egito. Representantes de Israel, Hamas e Estados Unidos estão à mesa para negociar um acordo que prevê a troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos.

Em uma reportagem do canal Band News, o correspondente Eduardo Barão destacou que as reuniões poderiam avançar em um acordo de paz. No entanto, o diplomata e ex-embaixador Rubens Barbosa, convidado do programa "Canal Livre", expressou forte ceticismo sobre as chances de sucesso da proposta atual.

"Eu não estou tão otimista", afirmou Barbosa, explicando que a proposta não é um documento neutro. "Não é a proposta americana, é uma proposta americana e israelense. A maneira como ela foi apresentada não é para haver negociação", analisou, sugerindo que se trata de um ultimato ao Hamas.

Segundo Barbosa, a contraproposta do Hamas, que inclui a aceitação da troca de prisioneiros, mas exige participação na futura administração de Gaza e garantias concretas, dificilmente será aceita por Israel. "O Hamas diz que quer participar não como um grupo armado, mas como uma das forças de Gaza. Isso Israel não vai aceitar", pontuou.

O diplomata argumentou que a principal moeda de troca do Hamas são os reféns e que o grupo não abrirá mão de todos eles sem garantias sólidas sobre o futuro do conflito, incluindo um cronograma claro para a retirada das tropas israelenses – um ponto ausente na proposta atual.

"Na proposta, você não tem nenhuma garantia [para o Hamas]. Todas as garantias têm que ser dadas pelo Hamas. Não tem nenhuma garantia de Israel", criticou Barbosa. "Se eles entregam todos os prisioneiros, na minha visão, o resto não vai acontecer."

A análise de Barbosa reforça a visão de que, apesar da pressão internacional por uma trégua, a desconfiança mútua e as exigências fundamentais de cada lado continuam sendo os maiores obstáculos para o fim da guerra, que já se estende por meses e acumula dezenas de milhares de vítimas. A posição do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de que não haverá negociação sem a libertação incondicional dos reféns, adiciona mais uma camada de complexidade às frágeis conversas pela paz.