Em um debate no programa "Canal Livre" da BandNews, o professor de Relações Internacionais Leonardo Trevisan ofereceu uma análise aprofundada sobre a complexa situação de Israel no conflito em Gaza. Concordando com a visão do embaixador Rubens Barbosa de que o plano de paz atual é "impositivo", Trevisan argumenta que a proposta foi concebida por Benjamin Netanyahu e Donald Trump, ignorando as nuances e as novas realidades do campo de batalha.
Citando um artigo do jornal britânico The Guardian, escrito pelo analista Michael Milstein da Universidade de Tel Aviv, Trevisan afirmou que, embora Israel tenha obtido uma vitória militar significativa – eliminando 90% das lideranças militares do Hamas e 97% de sua capacidade de lançamento de foguetes –, a guerra está longe de acabar. O ponto crucial, segundo o artigo, é que Israel destruiu apenas 40% da rede de túneis do Hamas, garantindo a "sobrevivência militar" do grupo.
Para Trevisan, este dado revela uma dualidade na sociedade israelense. "Existem duas Israel", afirmou. De um lado, a Israel da "imposição", liderada por Netanyahu e seus aliados da extrema-direita e ultraortodoxos, que insistem na continuidade do conflito. Do outro, a Israel da "nação startup" e tecnológica, que está "cansada da guerra" e enfrenta dificuldades econômicas devido à mobilização militar de sua força de trabalho.
"Israel não conseguirá fazer, tão tranquilo assim, novos recrutamentos militares", destacou Trevisan, apontando para o esgotamento social e econômico que a guerra prolongada impõe ao país.
Além da divisão interna, o professor ressaltou que a sobrevivência política de Netanyahu está diretamente ligada à continuação da guerra. "A hora que a guerra terminar, ele vai ter que prestar contas", disse, traçando um paralelo com a ex-primeira-ministra Golda Meir, que, apesar da vitória na Guerra do Yom Kippur, teve sua carreira política encerrada devido às falhas de inteligência que levaram ao conflito.
A análise também abordou o papel de Donald Trump, cuja visão para o Oriente Médio é descrita como pragmática e focada em negócios, não em diplomacia tradicional. Trevisan lembrou que o principal assessor de Trump para acordos internacionais, seu genro Jared Kushner, é um "agente imobiliário", assim como Trump. "Ele só se move a partir do bolso", concluiu Trevisan, sugerindo que os interesses econômicos, como a reconstrução de Gaza em um "grande Dubai", podem sobrepor-se a uma solução política duradoura para a paz na região.
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