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Plano de paz para Gaza enfrenta desafios internos e externos, dizem especialistas

Analistas apontam que a proposta de paz, embora seja um passo, ignora questões cruciais e enfrenta resistências tanto de Israel quanto do Hamas, enquanto a população palestina clama desesperadamente pelo fim do conflito

Da redação
DA REDAÇÃO

05/10/2025 • 22:36 • Atualizado em 05/10/2025 • 22:36

Enquanto o debate sobre o futuro da Faixa de Gaza se intensifica, especialistas apontam que o plano de paz proposto pelo ex-presidente americano Donald Trump, embora bem-intencionado, está repleto de complexidades que podem inviabilizar sua implementação. Em uma discussão no programa "Canal Livre", da BandNews, analistas e diplomatas destacaram os desafios políticos e humanitários que cercam a proposta.

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A jornalista Beatriz Ferrete levantou um ponto crucial: o plano não prevê a participação palestina em sua elaboração, o que levanta dúvidas sobre a legitimidade de qualquer governo de transição que venha a ser formado. "Será que os palestinos querem ser governados por um comitê liderado por Trump e Tony Blair?", questionou, referindo-se à sugestão de uma governança internacional para a região.

O diplomata Rubens Barbosa esclareceu que a proposta inclui a formação de um comitê palestino supervisionado por um órgão internacional, mas reconheceu que o documento contém cláusulas que Israel dificilmente aceitará. "Israel não ocupará Gaza, vai se retirar", afirma o plano, mas sem definir um cronograma, o que o torna vago. Além disso, a proposta não aborda a situação da Cisjordânia, um ponto fundamental para qualquer solução de longo prazo.

O professor Leonardo Trevisan reforçou a ideia de que a negociação é a única saída viável, uma vez que a solução militar se mostrou insuficiente. "Israel destruiu apenas 40% dos túneis. O Hamas tem sobrevivência militar garantida", afirmou, sugerindo que o grupo pode estar sendo pressionado por nações árabes moderadas a buscar uma transição para a luta política. Ele traçou um paralelo com outros grupos armados que evoluíram para movimentos políticos, como o liderado por Menachem Begin em Israel, que mais tarde se tornou primeiro-ministro.

A pressão sobre as lideranças aumenta com o desespero da população civil. Depoimentos de moradores de Gaza revelam um profundo cansaço com a guerra. "Nós desejamos e esperamos por isso [o cessar-fogo], estamos cansados", disse um morador, enquanto outra lamentava: "Estamos morrendo todos os dias".

Para Rubens Barbosa, a posição dos Estados Unidos será decisiva. A mudança na opinião pública americana, inclusive entre os republicanos, e a proximidade das eleições presidenciais podem forçar o governo a adotar uma postura mais firme.

No entanto, a proposta atual, construída em parceria com Israel, reflete uma visão que pode não ser sustentável. "Na cabeça dele [Trump], a paz é naqueles termos. Não é em outros termos. Esse que é o problema", concluiu o embaixador, destacando que sem uma negociação genuína, que considere as contrapropostas do Hamas e as aspirações do povo palestino, qualquer acordo corre o risco de fracassar.