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Canal Livre: Por que escândalos de corrupção não tiram votos como antes?

Programa Canal Livre deste domingo analisa a estabilidade das intenções de voto e o impacto de novas denúncias na reta final da disputa eleitoral

Da redação
DA REDAÇÃO

05/07/2026 • 10:26 • Atualizado em 05/07/2026 • 13:50

Murilo Hidalgo, diretor do Paraná Pesquisas, e Maurício Moura, fundador do Instituto Ideia

Murilo Hidalgo, diretor do Paraná Pesquisas, e Maurício Moura, fundador do Instituto Ideia

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O cenário eleitoral brasileiro e o comportamento do eleitor diante de denúncias de corrupção são os temas centrais do programa Canal Livre deste domingo (5). Analistas debateram por que escândalos, que historicamente seriam decisivos para encerrar candidaturas, parecem ter menos peso no atual momento do pleito.

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Maurício Moura, fundador do Instituto Ideia, aponta que episódios recentes, como a revelação dos áudios entre o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, assim como o nome do também senador Jaques Wagner, ex-líder do governo Lula no Senado, ligado ao dono do Master, mostram uma mudança no comportamento do eleitor.

“Pelas nossas pesquisas, o Flávio teve uma queda de 5, 6 pontos recentemente. Ele caiu por causa das denúncias do Master. E nós fizemos uma pesquisa na Bahia que mostra que o Jaques Wagner caiu os mesmos 5 ou 6%. O que mostra, de um lado muito triste, é que a corrupção não está mais derrubando tanto quanto se esperava. As duas denúncias eram pra ter abalado demais essas candidaturas. A denúncia não abala mais como abalava antigamente”, disse.

No entanto, na avaliação do fundador do Instituto Ideia, novas revelações da Polícia Federal sobre o caso Master devem provocar estragos nas pré-candidaturas. "É uma coisa a ser estudada junto ao eleitorado: por que a corrupção não abala mais como antigamente? Mas com certeza o caso Master vai depender de mais o quê vai acontecer pra frente. Vai ter mais busca e apreensão? Vai ter prisão? Vão pegar dinheiro? Quando vai se dar isso? Vai ter delação? Novas denúncias? Isso é muito triste porque você deixa pra Justiça e pra polícia um poder de influência nas eleições. A que momento vai acontecer isso? Já pensou, tanto de um lado, quando do outro, há uma semana da eleição tem uma operação? Muda tudo", afirma Moura.

Disputa de rejeições

Para Murilo Hidalgo, diretor do Paraná Pesquisas, o foco da eleição recai sobre a avaliação da atual gestão federal. “A gente tem dois candidatos com muita rejeição. Uma coisa que eu acredito em todos os ciclos eleitorais que eu vejo pelo mundo e é a pergunta central em toda eleição: se o governo Lula merece mais quatro anos no poder. Porque essa foi a pergunta central em 2022 com Bolsonaro”, disse.

"Hoje todas as pesquisas convergem que passa de 50% de gente que diz que não merece continuar e 45%, 47% de que merece continuar. Essa é a real disputa. Uma coisa que é constante é que, quem votou no Bolsonaro no segundo turno em 2022, nunca, em nenhum momento, aprovou esse governo. O teto de popularidade do governo Lula é muito baixo e ele ainda perdeu quatro ou cinco pontos percentuais de gente que votou nele, dizendo que o governo não merece continuar ou que tem dúvida ", avalia Hidalgo.