Resumo
Declaração de Valdemar da Costa Neto aponta frustração com a falta de apoio de Donald Trump aos movimentos de direita no Brasil, especialmente em relação à situação jurídica de Jair Bolsonaro e seus aliados.
Crítica do presidente do PL destaca ausência de pressão internacional via Lei Magnitsky contra ministros do Supremo Tribunal Federal, com expectativa de que sanções americanas facilitassem a aprovação da anistia para condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos é mencionada como tentativa de sensibilizar lideranças republicanas e Trump, enquanto Valdemar reafirma a defesa da anistia como direito fundamental e minimiza a existência de tentativa de golpe no Brasil.
O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, afirmou que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falhou com os movimentos de direita no Brasil. Em entrevista ao programa Canal Livre, que vai ao ar neste domingo (1), o dirigente manifestou frustração com a falta de uma postura mais incisiva do líder republicano em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para Valdemar, Trump poderia ter utilizado sua influência política para pressionar o cenário brasileiro, especialmente no que diz respeito à situação jurídica de aliados de Bolsonaro. O dirigente esperava uma articulação internacional mais robusta que facilitasse o avanço de pautas como a anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Pressão via Lei Magnitsky
A principal crítica de Valdemar reside na falta de ação de Trump em relação à Lei Magnitsky — uma legislação americana que permite aplicar sanções a autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos. Segundo o presidente do PL, essa ferramenta deveria ter sido usada contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo Alexandre de Moraes.
"Ele [Trump] podia muito bem trabalhar na Magnitsky de pôr mais um ou dois ministros [do STF] lá", declarou Valdemar durante a entrevista. A estratégia defendida pelo dirigente era usar o temor de sanções internacionais como moeda de troca: "Em troca de eles deixarem a gente votar a anistia".
Na visão do líder partidário, a aplicação da lei americana serviria como um contrapeso ao que ele classifica como excessos do Judiciário brasileiro. Valdemar argumenta que todos os ex-presidentes brasileiros, como Lula, Dilma e Fernando Henrique Cardoso, foram beneficiados por anistias em algum momento, e que o grupo ligado a Bolsonaro estaria sendo privado desse direito de forma injusta.
O papel de Eduardo Bolsonaro
Valdemar da Costa Neto também revelou detalhes sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Segundo ele, o deputado viajou diversas vezes para o país norte-americano justamente para tentar sensibilizar lideranças republicanas e o próprio Trump sobre a situação política no Brasil.
O presidente do PL afirmou que Eduardo estava "desesperado" ao ver a situação jurídica do pai e de outros aliados. "Ele foi para lá para defender o pai, porque se desesperou de ver o pai naquelas condições", relatou. Apesar dos esforços de Eduardo, Valdemar avalia que o apoio concreto de Trump não veio conforme o planejado.
Anistia
Durante a conversa com os jornalistas, Valdemar reiterou sua tese de que não houve uma tentativa de golpe de Estado no Brasil. Ele minimizou os atos de vandalismo ocorridos em Brasília, afirmando que "não existe golpe com pedaço de pau". Para ele, um golpe real exigiria o uso de armamento pesado e tanques de guerra.
O dirigente concluiu reforçando que a anistia é um direito fundamental para "zerar a vida" política do país e que continuará buscando formas de viabilizar essa medida no Congresso Nacional, ainda que sinta que o suporte internacional, especialmente o de Trump, tenha ficado abaixo das expectativas da direita brasileira.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:

