Canal Livre

‘Salvador era o depositário das riquezas do recôncavo’, diz especialista

O jornalista, escritor e historiador Eduardo Bueno é o convidado do Canal Livre deste domingo (28)

Da redação
DA REDAÇÃO

28/06/2026 • 19:29 • Atualizado em 28/06/2026 • 20:43

Eduardo Bueno

Eduardo Bueno

Band TV

A centralidade da Bahia no processo de consolidação da Independência do Brasil e sua relevância durante o período monárquico foi o debate central do Canal Livre deste domingo (28). O jornalista, escritor e historiador Eduardo Bueno falou sobre a complexa dinâmica geográfica, econômica e militar que unia Salvador ao Recôncavo Baiano no século XIX.

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Embora Salvador ostentasse uma importância mística e geopolítica extraordinária, impulsionada por um porto elogiado desde a expedição de Américo Vespúcio em 1502, Bueno argumenta que a engrenagem que sustentava a opulência da cidade ficava quilômetros adentro.

“Salvador, com toda sua importância mística, ela era o depositário das riquezas do Recôncavo. Era o Recôncavo que trazia o tabaco, o açúcar, toda essa produção, o próprio ouro, os escravizados vinham dali para fazer a riqueza de Salvador”, explicou o especialista.

O Recôncavo como QG da Resistência e reduto político

Após o colonialista português Madeira de Melo vencer a guerra civil urbana e isolar-se na capital, Salvador viu-se desabastecida e politicamente fragilizada. A verdadeira reação contra as forças metropolitanas não partiu de suas muralhas, mas sim das vilas do entorno baiano.

Cidades estratégicas como Cachoeira e Santo Amaro tornaram-se o quartel-general das forças resistentes brasileiras. Foi nessa região que o exército libertador se reorganizou e, sob as ordens do então Príncipe Regente Dom Pedro I, orquestrou a contraofensiva comandada por figuras como o general Pierre Labatut e o almirante Thomas Cochrane.

O peso do Recôncavo foi tamanho que a Vila de Cachoeira acabou se tornando a capital simbólica da resistência, palco de um dos momentos mais fundamentais da fundação do Império: a aclamação de Dom Pedro I pela junta local. Em memória a essa união patriótica, até os dias atuais, a sede do governo da Bahia é transferida anualmente para a cidade histórica todo dia 25 de junho.

A herança da independência baiana, que culminou no célebre 2 de Julho, continua materializada na arquitetura, no Rio Paraguaçu e nas tradições centenárias da região, como a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte. Eduardo Bueno, contudo, lamentou que o turismo de massa ignore esse legado, fazendo um apelo para que os brasileiros descubram o Recôncavo.

Redefinindo os marcos da Independência

A análise de Bueno no Canal Livre estendeu-se também ao período monárquico subsequente, tocando em tensões que questionam a narrativa oficial da transição política do país. O escritor lembrou as manifestações populares e os desfiles históricos baianos, mencionando o movimento "Mata-Marotos" de 1831, que evidencia o prolongamento do sentimento anti-lusitano mesmo anos após o grito do Ipiranga.

Como assistir

O Canal Livre vai ao ar neste domingo (28) na tela da Band, na Bandnews TV, Bandplay e também no canal Band Jornalismo, no Youtube.

O programa começa às 20h na Bandnews TV e às 23h na tela da Band.