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Cantareira opera abaixo de um terço da capacidade e gera alerta em SP

Baixo volume do reservatório obriga Sabesp a reduzir pressão da água; especialistas alertam para riscos no próximo período de seca

Márcio Campos
MÁRCIO CAMPOS

14/02/2026 • 22:49 • Atualizado em 14/02/2026 • 22:49

Apesar do registro de chuvas nos últimos dias, o nível do Sistema Cantareira, o principal reservatório de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, ainda apresenta números preocupantes. O sistema opera atualmente com apenas 31,4% de seu volume útil, marca situada abaixo de um terço da capacidade total. A situação afeta diretamente o cotidiano de nove milhões de moradores que dependem desse manancial.

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Como medida de precaução para preservar as reservas, a Sabesp reduziu a retirada de água do sistema. Atualmente, são extraídos 1,9 bilhão de litros por dia, um volume significativamente menor do que os 2,85 bilhões de litros diários que seriam retirados caso o nível estivesse normalizado.

Na prática, essa economia reflete-se na redução da pressão da água nas torneiras, impactando a rotina de cidadãos como o cabeleireiro Ailton Calixto, morador da Zona Norte da capital, que relata dificuldades constantes para realizar tarefas básicas devido à baixa vazão.

Déficit de chuvas e preparação para a seca

O cenário crítico é reflexo de um mês de janeiro com pluviosidade abaixo da média histórica. Segundo dados meteorológicos, choveu apenas 72% do volume esperado para o primeiro mês do ano. Embora fevereiro apresente uma tendência de fechar com índices acima da média, o acumulado ainda é insuficiente para garantir a segurança hídrica necessária para enfrentar os meses de inverno, conhecidos pelo clima seco.

Para a pesquisadora Adriana Cuartas, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a preocupação central reside justamente na proximidade do período de estiagem. Segundo sua análise, os reservatórios precisam atingir níveis muito mais robustos durante o verão para suportar a demanda sem risco de desabastecimento severo na segunda metade do ano.

Impacto na rotina doméstica

A redução da pressão, estratégia utilizada para evitar o racionamento drástico, obriga moradores a adaptarem seus horários. Há relatos de consumidores, como a trabalhadora Margarete, que só conseguem realizar tarefas domésticas que exigem maior fluxo de água, como lavar a louça ou roupas, na madrugada. Ela destaca que o serviço só se normaliza por volta das quatro da manhã, horário em que acorda para trabalhar.

A orientação das autoridades e especialistas é para que a população mantenha o consumo consciente. A Sabesp segue monitorando os níveis dos reservatórios e as projeções meteorológicas para decidir sobre a manutenção ou intensificação das medidas de controle de pressão nas redes de distribuição da capital e cidades vizinhas.