
Carlos Bolsonaro
Jorge Silva/Reuters
O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) voltou a defender o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira (8), atacando duramente o poder Judiciário e as instituições brasileiras. Em um tweet, o parlamentar afirmou que o tratamento dado ao pai não representa justiça, mas “vingança”, além de acusar as instituições de silêncio cúmplice e de ignorarem leis e direitos humanos.
“Tudo isso sob o silêncio cúmplice das instituições que deveriam zelar pela Constituição, pelos direitos humanos e pelo devido processo legal. O que se assiste não é Justiça, é vingança; não é democracia, é exceção permanente; não é Estado de Direito, é o verdadeiro negacionismo em sua essência!”, escreveu o filho do ex-presidente.
A publicação acontece no contexto de uma série de revezes em pedidos da defesa de Bolsonaro perante o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF).
Em uma das mais recentes respostas oficiais, a PF negou um pedido da defesa para atender uma queixa sobre o barulho de um ar-condicionado na sala onde o ex-mandatário cumpre prisão na superintendência da corporação em Brasília, afirmando que não há como desligar o equipamento e que não é possível transferi-lo para outro local.
A decisão motivou a equipe jurídica de Bolsonaro a buscar uma nova estratégia, agora centrada em um pedido de prisão domiciliar, segundo Michele Bolsonaro, esposa do ex-presidente, que comparou o caso ao de Fernando Collor, que chegou a cumprir prisão domiciliar no passado.
Paralelamente, o ministro do STF Alexandre de Moraes declarou a nulidade de um processo aberto pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) que investigava a atuação da PF nos cuidados médicos prestados a Bolsonaro. Na decisão, Moraes argumentou que não cabe ao CFM fiscalizar a Polícia Federal, anulando a sindicância. Com isso, a defesa volta seus esforços à obtenção da prisão domiciliar como próximo movimento jurídico.
Queda, exame e saúde do ex-presidente
Nos últimos dias, Jair Bolsonaro também tem sido notícia por questões de saúde que se somam ao contexto de sua prisão. Na madrugada de terça-feira (6), o ex-presidente sofreu uma queda em sua cela na Superintendência da Polícia Federal, enquanto dormia, e bateu a cabeça, conforme relato da família. A defesa relatou preocupação com possível traumatismo craniano e solicitou atendimento médico.
Após avaliação inicial, o ministro Alexandre de Moraes autorizou que Bolsonaro fosse levado ao Hospital DF Star, em Brasília, para exames mais detalhados, incluindo tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma, a fim de avaliar qualquer dano neurológico devido à queda.
Exames médicos confirmaram que o ex-presidente sofreu um traumatismo craniano leve, com lesão em partes moles das regiões frontal e temporal da cabeça, sem necessidade de intervenções complexas, segundo boletins médicos e entrevistas de profissionais que o acompanharam. Bolsonaro retornou à prisão após os exames sem indicação de tratamento hospitalar prolongado.
Médicos que assistem Bolsonaro também relataram que a queda pode ter sido influenciada por interações medicamentosas, já que ele faz uso de diversos fármacos após procedimentos recentes em hospitais, incluindo cirurgia para hérnia e tratamento de soluços persistentes. Os profissionais apontaram tonturas, desequilíbrio e oscilações na memória logo após o episódio, embora tenham descartado gravidade imediata.
Contexto político e jurídico
O ex-presidente Jair Bolsonaro, de 70 anos, cumpre uma pena de 27 anos de prisão por sua participação e liderança em um plano de tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral de 2022, segundo decisão do STF. Ele foi condenado por, entre outras acusações, liderar uma organização criminosa armada e planejar violentar o regime democrático. Bolsonaro nega todas as acusações.
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