
Cármen Lúcia
Rosinei Coutinho/STF
A ministra Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), fez um discurso durante a abertura da sessão desta terça-feira (10) em alusão ao Dia Internacional da Mulher, ocorrido no último domingo (8).
Durante sua fala, Cármen Lúcia afirmou que “quando se mata uma mulher, cada uma de nós é violentada”.
“Quando se bate, quando se ameaça, quando se mata uma mulher, cada uma de nós é igualmente açoitada, violentada e, principalmente, ferida nos nossos direitos. Porque somos todas mulheres, apenas seres humanos querendo participar com os ônus e, eventualmente, até bônus; mas, principalmente, dar a nossa contribuição para o prosseguimento das conquistas e da melhoria dos direitos de todas as pessoas: homens e mulheres.”
A magistrada recordou que a Constituição Federal estabeleceu a paridade de direitos e obrigações entre os gêneros, mencionando o inciso I do artigo 5º.
“Estas datas têm um significado especial de serem pontos de parada para uma reflexão sobre o que estamos vivendo. Não tem sido fácil a vida das mulheres nesta humanidade na qual o projeto político é de monopólio do poder pelos homens, mas para além de um monopólio de poder sem participação de todas as pessoas, incluídas as mulheres, nós temos um poder violento contra as mulheres”, disse Cármen Lúcia.
Estatísticas e Civilidade
“E no caso brasileiro, os índices de violência da ameaça até o feminicídio são absolutamente estarrecedores. Mata-se uma mulher no Brasil por ser mulher a cada seis horas, ameaça-se, violenta-se uma mulher a cada seis minutos, é impossível imaginar que esta seja uma situação de civilidade e de civilização na qual os direitos à igualdade e à dignidade foram conquistados devidamente e expressamente formalizados em documentos internacionais, mas principalmente na Constituição Brasileira”, continuou a ministra.
Cármen Lúcia pontuou que nesse Dia Internacional da Mulher o que se teve foram espaços de reflexão, de meditação, “mulheres e homens que queiram contribuir para que a causa da dignidade humana seja de todas as pessoas que queiram viver de forma civilizada e não com a barbárie que nós vemos o tempo todo voltada contra a mulher”.
Futuro das próximas gerações
“Nossa expectativa é que as jovens de hoje não tenham que se angustiar ou se desgastar com as atrocidades cometidas contra o sexo feminino. Não almejamos, por óbvio, uma sociedade composta exclusivamente por mulheres. O que buscamos é uma coletividade de seres humanos equivalentes em direitos e deveres, incluindo o respeito mútuo”, concluiu.
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