Band Jornalismo

Caso Banco Master levanta dúvidas sobre fiscalização e risco em fundos

Prisão do acionista Daniel Vorcaro e liquidação do banco pelo Banco Central expõem investimentos de previdências municipais e questionam atuação do Fundo Garantidor de Crédito

Da redação
DA REDAÇÃO

19/11/2025 • 11:36 • Atualizado em 19/11/2025 • 11:36

Sonia Blota
Redes Sociais:
Banco Master registra lucro líquido de R$ 1 bilhão em 2024

Banco Master registra lucro líquido de R$ 1 bilhão em 2024

Reprodução/Jornal da Noite

A liquidação do Banco Master pelo Banco Central e a prisão de seu principal acionista, Daniel Vorcaro, mantida pela Justiça, levantam uma série de questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro nacional e o risco de operações em instituições de pequeno porte.

Compartilhar

As autoridades e o mercado buscam esclarecer como um banco de menor porte conseguiu um crescimento tão acelerado e vultuoso em um curto período, e como uma suposta fraude bilionária teria sido mantida por cinco anos sem a intervenção imediata dos órgãos de controle.

A investigação conduzida pela Polícia Federal aponta para uma acusação de fraude de R$ 12 bilhões de reais, envolvendo um banco público, o BRB (Banco de Brasília). Os acusados negam a prática de fraude, mas as investigações indicam a possibilidade de mais crimes relacionados ao caso.

A principal questão levantada no Jornal da Band é como o esquema pode ter se desenrolado por cerca de cinco anos sem a ação da Polícia Federal, da Procuradoria, do Ministério Público ou do próprio Banco Central (BC).

Envolvimento de fundos de previdência e o risco de dinheiro público

Além da investigação de fraude com dinheiro público no caso do BRB, o processo de liquidação do Master revelou o envolvimento de diversas outras instituições e fundos de previdência social com altos investimentos no banco.

Entre os fundos de previdência social que realizaram aportes no Banco Master, destacam-se:

Municípios de São Paulo: Investimento de R$ 218 milhões de reais.

Amapá Previdência: Investimento de R$ 426 milhões de reais.

Fundo de pensão da prefeitura de Maceió: Investimento de R$ 115 milhões de reais.

Rio Previdência: Segundo informações do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a exposição seria de R$ 2,6 bilhões investidos em títulos do banco. A Rio Previdência, contudo, nega o valor e afirma que o montante investido é de aproximadamente R$ 1 bilhão de reais.

Em alguns desses fundos de previdência, o valor aplicado no Master chega a 15% do patrimônio total. Para analistas e observadores mais atentos do mercado, investir no Banco Master já era visto há bastante tempo como uma operação de altíssimo risco.

Embora existam empresas privadas com investimentos no banco, as verbas dos fundos de previdência representam dinheiro público, o que amplia a gravidade do caso.

O papel das plataformas de investimento e o fundo garantidor de crédito

Outro ponto que será alvo de apuração é a atuação das plataformas de investimento que distribuíam títulos do Banco Master para pessoas físicas, mesmo sabendo do alto risco da operação. Há relatos de que três plataformas teriam faturado cerca de R$ 1 bilhão de reais apenas com a distribuição desses títulos.

A maioria dos investidores era atraída por promessas de retornos muito acima da média do mercado e pela garantia de proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O FGC, criado em 1995 como uma associação privada sem fins lucrativos, tem como objetivo aumentar a confiança no sistema bancário.

O FGC protege investimentos de até R$ 250 mil reais por pessoa física em cada instituição. Anteriormente, o valor máximo garantido por CPF em um período de quatro anos era de R$ 1 milhão de reais, teto que foi recentemente ampliado para R$ 1,6 milhão. Desta forma, o fundo não utiliza dinheiro público para realizar os ressarcimentos.

Hoje, o Fundo Garantidor de Crédito possui ativos de pouco mais de R$ 150 bilhões de reais, dos quais R$ 122 bilhões estão disponíveis com liquidez imediata.

A liquidação do Banco Master será a maior da história do FGC. O fundo estima que o valor total do ressarcimento pode atingir R$ 48 bilhões e garantir 1 milhão e 600 mil credores, majoritariamente pessoas físicas. Este valor deve representar cerca de 30% do patrimônio do Fundo Garantidor de Crédito.

Diante do volume de recursos, o modelo de atuação do FGC deve ser revisto, uma vez que o crescimento insustentável de instituições financeiras pode ser garantido pelo fundo.

O presidente do Fundo Garantidor de Crédito estima que o pagamento aos credores pode ser rápido, com o prazo médio de 30 dias para ressarcimento. Neste caso específico do Master, o processo pode levar um pouco mais de tempo.

Os investidores atingidos devem baixar o aplicativo do FGC, se cadastrar, e aguardar os próximos passos para o recebimento dos valores.

Fique bem informado!

Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail

Escolha quais newsletters quer receber

Tópicos relacionados