
Zelensky
Stefan Rousseau/Pool via REUTERS
Intocável, o homem mais poderoso da Ucrânia depois do presidente Zelensky, de quem foi chefe de gabinete e é amigo íntimo, Andriy Yermak, 54, renunciou nesta sexta-feira, depois que investigadores do Departamento de Combate à Corrupção fizeram uma operação de busca e apreensão em sua casa.
Antes de partir, ele telefonou para alguns jornalistas, e revelou: “A Ucrânia não cederá territórios para a Rússia; no máximo, os congelará”.
O próprio Zelensky anunciou a renúncia de Yermak, que até agora não é suspeito do caso de corrupção investigado há 15 meses, envolvendo 100 milhões de dólares, levantados com o suborno de 15% nos contratos da gigantesca estatal nuclear da Ucrânia. Cinco suspeitos estão presos; outros dois fugiram do país.
Se Yermak virar suspeito da Agência Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU), o presidente Zelensky ficará em uma situação delicada, inclusive nas negociações de cessar-fogo com a Rússia intermediadas pelos Estados Unidos. A pressão sobre ele já o enfraquece, vinda de todas as direções -- dos ucranianos aos aliados do Ocidente. O conselho que tem recebido é o de “limpar a casa”.
Yermak ajudou os agentes nas buscas em sua casa. E deu entrevistas a alguns jornalistas amigos, chamando-os ao telefone. Ele revelou que Zelensky “não assinará nenhum documento sobre cessão de territórios”. E explicou: “A Constituição o proíbe. Ninguém pode fazer isso a menos que queira ir contra a Constituição e os ucranianos. A Ucrânia não cederá territórios”.
Pelo que disse Yermak, a Ucrânia oferece a demarcação das pretensões territoriais russas, que seriam congeladas; não cedidas. Mas, e a Rússia aceitará? O presidente Vladimir Putin não demonstrou até agora a menor disposição de recuar em suas exigências territoriais, incluindo as partes ainda não conquistadas, nas regiões de Donetsk, Kherson e Zaporíjia. As posições russa e ucraniana são difíceis, talvez impossíveis, de conciliar.
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