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Rádio: Dezenas de arquivos que citam Trump no caso Epstein foram removidos

Emissora diz que mais de 50 páginas e depoimento-chave desapareceram de pacote divulgado pelo governo; Casa Branca nega irregularidades

ESTADÃO CONTEÚDO

24/02/2026 • 17:20 • Atualizado em 24/02/2026 • 17:27

Jeffrey Epstein

Jeffrey Epstein

Divulgação

Uma investigação da rede pública norte-americana NPR apontou que dezenas de documentos que mencionam o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump em uma acusação de abuso sexual de uma menor de idade desapareceram do conjunto de arquivos do caso Jeffrey Epstein divulgado pelo governo americano no fim de janeiro, segundo reportagem publicada nesta terça-feira (24).

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A emissora afirma que os arquivos originais continham mais de 50 páginas de entrevistas concedidas ao FBI e anotações de investigadores nas quais o nome de Trump aparecia ligado a um suposto crime sexual. De acordo com a NPR, esses registros não constam na base de dados oficial, embora seus números de série apareçam na listagem de documentos já liberados ao público.

Em nota, a organização diz ter revisado “vários conjuntos de números de série exclusivos que aparecem antes e depois das páginas em questão” e identificou que muitos arquivos listados como divulgados não aparecem na base oficial de dados disponibilizada pelo governo.

Arquivos relatam acusação de abuso a adolescente

Entre os documentos apontados como ausentes, estariam registros de uma mulher que acusa Trump de tê-la abusado sexualmente quando ela tinha 13 anos, décadas atrás, após ter sido apresentada a ele por Epstein. Segundo a NPR, a declaração integra uma série de depoimentos coletados por autoridades federais e por advogados de vítimas.

Os papéis também descreveriam outras ocasiões em que Trump teria participado de festas e eventos ao lado de Epstein, inclusive em propriedades do próprio republicano. As situações são mencionadas pela denunciante como parte do contexto em que, segundo ela, ocorreram os abusos.

Depoimento de testemunha-chave também não aparece

A reportagem da NPR afirma ainda que falta no acervo um depoimento de uma testemunha considerada central nas investigações sobre a rede de exploração sexual atribuída a Epstein. A mulher forneceu informações usadas no julgamento da socialite britânica Ghislaine Maxwell, apontada como ex-namorada e cúmplice do financista.

De acordo com a emissora, o testemunho dessa colaboradora teria sido anexado ao mesmo conjunto de arquivos sobre o caso Epstein agora disponibilizado, mas não pôde ser localizado na base pública consultada pela equipe de jornalistas.

Casa Branca diz que Trump está “livre de qualquer acusação”

A Casa Branca respondeu à NPR afirmando que Trump não é alvo de investigações ligadas a Epstein. “Tal como o presidente Trump afirmou, ele está totalmente livre de qualquer acusação relacionada a Epstein”, diz o comunicado enviado à emissora.

“Ao divulgar milhares de páginas de documentos, cooperar com o pedido de intimação do Comitê de Supervisão da Câmara, assinar a Lei de Transparência dos Arquivos de Epstein e solicitar mais investigações sobre os amigos democratas de Epstein, o presidente Trump fez mais pelas vítimas de Epstein do que qualquer pessoa antes dele”, afirmou a Casa Branca em nota.

Epstein morreu em prisão federal; Maxwell cumpre 20 anos

Ghislaine Maxwell, de 64 anos, foi condenada em dezembro de 2021 pela Justiça dos Estados Unidos a 20 anos de prisão por tráfico sexual e outros crimes relacionados ao esquema de exploração de meninas e adolescentes.

Jeffrey Epstein, financista bilionário que mantinha relações com políticos, empresários e celebridades, morreu em agosto de 2019 em uma prisão federal de Nova York, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. A morte foi registrada como suicídio pelas autoridades norte-americanas.

A abertura gradual dos chamados arquivos de Epstein tem levado organizações de imprensa e advogados de vítimas a cobrar esclarecimentos sobre o desaparecimento de registros e a extensão do eventual envolvimento de figuras públicas citadas nos autos.