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Casos de dengue caem 95,8% em SP no início de 2026

Nas primeiras semanas deste ano, foram confirmados 12.454 casos da doença, contra 301.595 no mesmo período de 2025.

Matheus Christov
MATHEUS CHRISTOV

06/03/2026 • 21:10 • Atualizado em 06/03/2026 • 21:10

Casos de dengue caem 95,8% em SP no início de 2026

Casos de dengue caem 95,8% em SP no início de 2026

Arquivo / Ciete Silvério - Prefeitura de São Paulo

O número de casos de dengue registrou uma queda significativa no estado de São Paulo nas primeiras semanas de 2026. Dados do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (NIES), da Secretaria de Estado da Saúde, mostram que nas nove primeiras semanas epidemiológicas de 2026, foram confirmados 12.454 casos da doença no estado. No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 301.595 casos, uma redução de 95,8%.

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Apesar da queda expressiva, o vírus ainda circula em diversas regiões. A cidade com maior incidência proporcional de casos confirmados neste ano é Araçatuba, com 916 casos positivos e 1.618 suspeitos. Em seguida aparecem Presidente Prudente, com 757 registros, e São José do Rio Preto.

A Grande São Paulo aparece na 13ª posição no ranking estadual, com 3.485 casos confirmados, dentro de uma população superior a 20 milhões de habitantes.

As semanas epidemiológicas são utilizadas como padrão internacional para monitoramento de doenças. O calendário divide o ano em períodos semanais, de domingo a sábado, permitindo acompanhar a evolução de surtos e comparar dados ao longo do tempo.

Mesmo com a redução no número de casos, ações de fiscalização continuam sendo realizadas. Nesta sexta-feira (6), equipes da Unidade de Vigilância em Saúde da Prefeitura de São Paulo vistoriaram um condomínio residencial no bairro do Sacomã, na zona sul da capital, após relatos da presença de mosquitos semelhantes ao Aedes aegypti na região.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, durante a inspeção foram identificados potenciais criadouros que podem favorecer a proliferação do mosquito transmissor da dengue. O responsável pela zeladoria do condomínio recebeu orientações sobre as medidas necessárias para eliminar focos de água parada e reforçar os cuidados no local.

A pasta informou que ações de nebulização são recomendadas apenas em situações específicas, quando há casos confirmados de arboviroses. Somente neste ano, a prefeitura afirma ter realizado mais de 1,4 milhão de ações de combate à dengue na cidade, incluindo visitas domiciliares, bloqueios de criadouros, aplicação de larvicidas e uso de drones em áreas de difícil acesso. Em 2025, foram mais de 13 milhões de ações.

As autoridades de saúde reforçam que a população deve manter os cuidados para evitar a proliferação do mosquito. A principal forma de prevenção continua sendo a eliminação de água parada em recipientes como vasos de plantas, calhas, caixas d’água destampadas, pneus e qualquer objeto que possa acumular água.

Vacina do Butantan

Outra frente no combate à doença é a vacinação. A Butantan-DV, vacina tetravalente desenvolvida pelo Instituto Butantan, foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro de 2025 para pessoas de 12 a 59 anos.

Resultados do ensaio clínico de fase 3, publicados na revista científica Nature Medicine, apontam eficácia de 80,5% contra casos de dengue grave e com sinais de alarme ao longo de cinco anos. O estudo acompanhou cerca de 17 mil participantes no Brasil.

A vacina também demonstrou proteção contra hospitalizações por dengue: não houve registros de internação entre os vacinados, enquanto oito casos ocorreram no grupo que recebeu placebo. A eficácia geral contra dengue sintomática foi de 65% durante o período de acompanhamento.

Desde a aprovação, o Instituto Butantan já enviou 1,3 milhão de doses ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em fevereiro, foi anunciada a antecipação do envio de mais 1,3 milhão de doses ainda no primeiro semestre deste ano.