
Doença está se espalhando pelo estado de SP, alerta CRMV
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O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) emitiu, nesta terça-feira (6), um alerta sanitário destacando o avanço contínuo da esporotricose no estado. O comunicado oficial reforça a preocupação das autoridades com o aumento significativo de diagnósticos positivos da doença, que afeta principalmente felinos, mas que possui alto potencial de transmissão para seres humanos.
O cenário epidemiológico aponta para uma expansão acelerada do fungo. As autoridades sanitárias classificam a situação atual como de hiperendemia — quando uma doença se mantém em níveis elevados de incidência —, com focos concentrados especialmente na Região Metropolitana e na Baixada Santista.
Avanço dos números e impacto na saúde pública
Os dados apresentados pelo CRMV-SP e pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) evidenciam que o problema extrapola a saúde animal. A doença é uma zoonose, ou seja, uma infecção que pode ser transmitida naturalmente entre animais vertebrados e seres humanos.
A Secretaria de Saúde informou que, ao longo de todo o ano de 2024, foram contabilizados 1.617 casos em humanos. Já no primeiro semestre de 2025, até o mês de junho, as notificações somaram 612 ocorrências. Embora os números parciais de 2025 indiquem um volume menor em comparação ao total do ano anterior, a persistência de novos casos mantém o sistema de vigilância em alerta máximo.
É importante ressaltar uma lacuna relevante nas estatísticas atuais: a subnotificação. Ainda não há um balanço consolidado fechado do número total de gatos infectados nos anos de 2024 e 2025 para todo o estado. Isso ocorre porque a notificação dos casos em animais ainda não é compulsória (obrigatória) em todos os municípios paulistas, o que dificulta o mapeamento preciso da evolução recente da doença.
Entenda a doença e o contágio
A esporotricose é uma micose subcutânea causada pelo fungo do gênero Sporothrix. No cenário brasileiro e paulista, a variante predominante é o Sporothrix brasiliensis. Este microrganismo é considerado mais virulento e está diretamente associado à transmissão por felinos.
Na natureza, o fungo pode ser encontrado no solo e em plantas. Contudo, a transmissão urbana ocorre principalmente quando um gato infectado arranha ou morde outro animal ou uma pessoa. O contato direto com as lesões da pele de gatos doentes também é uma via de contágio eficaz.
Os gatos machos não castrados, que têm livre acesso à rua, são considerados o principal grupo de risco e vetor de disseminação. Devido às disputas territoriais e brigas com outros animais, eles ficam mais expostos ao fungo. Uma vez infectados, desenvolvem feridas profundas na pele que não cicatrizam facilmente e que contêm grande quantidade do fungo, facilitando a transmissão.
Legislação e medidas de controle
Para combater a subnotificação e melhorar a resposta sanitária, medidas legislativas estão em andamento. Na capital paulista, a notificação de casos em animais já é obrigatória desde 2020, o que ajuda a explicar a maior precisão dos dados na metrópole.
No âmbito estadual, tramita o Projeto de Lei nº 707/2025. A proposta visa tornar a notificação compulsória em todo o território de São Paulo. Se aprovada, a medida obrigará clínicas veterinárias e profissionais do setor a reportarem qualquer diagnóstico positivo às autoridades de saúde, permitindo um monitoramento mais ágil e ações de bloqueio mais eficazes.
Especialistas do setor reforçam que a prevenção passa necessariamente pela guarda responsável. Manter os animais dentro de casa e realizar a castração são as medidas mais efetivas para quebrar o ciclo de transmissão do fungo. Além disso, em caso de suspeita, o tutor não deve abandonar o animal, mas sim procurar imediatamente um médico-veterinário, pois a esporotricose tem tratamento e cura.

