
Celso Amorim e chanceler chinês
Governo da China
O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, esteve nesta quinta-feira (4), em Pequim, com o Ministro de Relações exteriores chinês, Wang Yi, e defenderam o fortalecimento da governança global e a cooperação entre países do Sul Global. Amorim participou das comemorações dos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, representando o presidente Lula.
Durante a reunião, que durou cerca de 2 horas, Wang elogiou a atuação do Brasil na presidência do BRICS e disse esperar maior alinhamento entre os países do bloco em torno de posições conjuntas sobre grandes temas internacionais, como as super taxas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O bloco se reúne de forma virtual no dia 8 de setembro e as super taxas serão um dos temas principais. Uma reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) é defendida tanto por Brasil, quanto pela China.
Amorim, que na terça-feira (3) entregou uma carta de Lula a Xi Jinping, destacou que o momento atual, marcado por tarifas unilaterais e pela fragilidade do sistema de comércio multilateral, exige ainda mais união entre os países em desenvolvimento.
“O Brasil está pronto para, sob a orientação de nossos presidentes, reforçar a cooperação com a China em defesa do multilateralismo e do fortalecimento da governança global”, disse Amorim.
Wang destacou que China e Brasil, maiores países em desenvolvimento de seus hemisférios, têm a responsabilidade de atuar de forma coordenada diante das mudanças no cenário internacional. Segundo ele, o unilateralismo volta a ameaçar as bases do multilateralismo, trazendo sérios desafios às nações em desenvolvimento.
“Devemos aprofundar a confiança mútua, ampliar a cooperação estratégica e defender, de forma clara, o multilateralismo. A Iniciativa de Governança Global, proposta pelo presidente Xi Jinping, foi acolhida com entusiasmo justamente por oferecer meios mais eficazes de enfrentar os desafios comuns”, afirmou o chanceler chinês.
Os dois lados também discutiram outros temas da agenda internacional, como a guerra na Ucrânia, a crise no Oriente Médio e as mudanças climáticas.
