Band Jornalismo

Cerveja e vinho também têm metanol? Especialista explica

O Band.com.br conversou com o professor Thiago Carita, do Instituto de Química da USP, que esclareceu que o metanol pode ser incluído durante a fermentação para a produção de vinhos e cervejas mas, normalmente, a adição é feita em quantidades pequenas

Emanuele Braga
EMANUELE BRAGA

03/10/2025 • 14:01 • Atualizado em 03/10/2025 • 14:01

Cerveja

Cerveja

Arquivo/Agência Brasil

Com a recente onda de casos envolvendo intoxicação por metanol em bebidas destiladas, como uísque, gin e vodca, há outro questionamento a respeito do consumo de álcool nesse contexto: as bebidas fermentadas, como vinho e cerveja, têm metanol na sua composição?

Compartilhar

O Band.com.br conversou com o professor Thiago Carita, do Instituto de Química da USP, que esclareceu que o metanol pode ser incluído durante a fermentação para a produção de vinhos e cervejas mas, normalmente, a adição é feita em quantidades pequenas e que, segundo o professor, não são preocupantes.

“Durante a destilação do fermentado para produção das bebidas destiladas, os álcoois são concentrados, dentre eles o metanol e o etanol. Se conduzida de forma correta, a destilação permite remover o metanol. Esse processo é seguro se conduzido de forma adequada”, disse.

Questionado sobre a presença obrigatória de metanol na produção de todas as bebidas alcóolicas, Thiago afirmou: “ele pode estar presente, mas normalmente em quantidades pequenas. Não é possível sugerir o que aconteceu de errado sem os resultados de perícias e investigações”.

“Se for do processo de produção, a etapa que seria mais sensível é a remoção do metanol no processo de destilação, na retirada da primeira parte que é destilada que chamamos de "cabeça" de destilação”, explicou.

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas iniciais também são comuns e podem ser confundidos com os efeitos do álcool, como tontura e dor de cabeça, que evoluem para um mal-estar.

Um sintoma que se deve ficar atento, são as dores abdominais: náuseas, vômito e dores estomacais similares à cólica são pontos de atenção.

O principal indício que vem chocando os consumidores de bebidas, é a alteração na visão, que de turva a escura, pode chegar a perda parcial ou total.

“O metanol pega o sistema nervoso central também. Na verdade, ele se dissipa no organismo, porque ele tem uma absorção pelo intestino e cai na corrente sanguínea”, diz o Doutor.

Segundo Gorinchteyn, após esse processo, o composto químico atinge o fígado, onde é metabolizado, ou seja, é destruído e libera um componente ácido. “Esse ácido é tóxico, tanto para o fígado, quanto para o cérebro, quanto para o nervo óptico, que faz a inervação do olho”

Apesar dos sintomas serem graves e agirem de forma rápida, tudo depende da quantidade ingerida.

Veja também:

Tópicos relacionados