
Gaza
REUTERS/Ahmed Zakot
O cessar-fogo em Gaza só vai vigorar depois que o acordo anunciado ontem pelo presidente Trump for ratificado pelo governo israelense. Isso deve acontecer na noite desta quinta-feira no Oriente Médio, à tarde no Brasil.
Mesmo depois de anunciado o cessar-fogo em Washington, ouviram-se disparos de canhão na estrada Rashid, por onde palestinos começavam a voltar para a Cidade de Gaza, de onde foram deslocados quando Israel decidiu expandir a guerra. Dois soldados israelenses ficaram feridos em explosões provocadas pelo Hamas.
A retirada militar israelense dos centros populosos de Gaza está prevista para esta sexta-feira, permitindo assim o movimento do Hamas para recolher os 20 reféns vivos que serão trocados por 250 prisioneiros cumprindo penas perpétuas e outros 1.700 capturados em 734 dias de guerra. Nem todos os caixões com 28 mortos serão devolvidos juntos. Muitos corpos têm que ser localizados. O Hamas pediu para os entregar à medida que forem desenterrados.
O júbilo em Israel pela volta dos sequestrados lotou o Muro das Lamentações, em Jerusalém, nesta semana de Sucot, a festa das cabanas que celebra a libertação dos escravos israelitas do Egito, no êxodo comandado por Moisés.
O presidente Trump quer presidir a cerimônia de troca de reféns por prisioneiros palestinos. Ele disse ontem que ela deve acontecer na segunda-feira. Mas em Israel a volta dos reféns está prevista para este domingo.
Israel e Hamas chegaram ao acordo de princípio, a ser agora ratificado, sob forte pressão dos Estados Unidos, Catar, Egito e Turquia. O primeiro-ministro Netanyahu não teve escolha, isolado do mundo, condenado à prisão pelo Tribunal Penal de Haia por crimes de guerra, e depois do fracassado ataque contra a cúpula do Hamas reunida em Doha, no Catar.
Foi o primeiro fracasso da espionagem israelense na guerra de dois anos. Ela conseguiu infiltrar pagers explosivos entre os combatentes do Hezbollah, matar seu líder máximo, Hassan Nasrallah, escondido em um bunker profundo em Beirute; assassinar toda uma geração de cientistas nucleares e os comandantes militares no Irã, matar a cúpula dos rebeldes iemenitas Houthis e facilitar a derrubada do presidente sírio Bashar Assad, que fugiu para a Rússia.
O ataque em Doha, capital de um dos mediadores do cessar-fogo da guerra em Gaza, provocou uma reviravolta contra Israel. O presidente Trump, que ganhou um Boeing de 400 milhões de dólares do Catar, recentemente, obrigou Netanyahu a pedir desculpas numa ligação filmada, depois divulgada, ao sheik Tamim bin Hamad Al Thani, lendo um texto que lhe foi apresentado.
A derrocada política começou aí, e Israel foi aceitando o que antes recusava no plano de 20 pontos, cujos tópicos fizeram parte de tentativas anteriores de cessar-fogo.
A guerra em Gaza começou depois do maior massacre contra judeus desde o holocausto nazista, com 1.200 mortos e 250 sequestrados, e está sendo a mais longa desde a guerra da Independência, em 1948.
Do lado palestino morreram quase 70 mil civis e combatentes, embora o Hamas não os distinga. Cerca de 90% de Gaza são hoje ruínas. Um projeto para sua reconstrução faz parte dos 20 pontos do plano Trump, e não deve começar tão já.
O premiê Netanyahu se gaba de ter mudado o Oriente Médio, com o fim do Hamas, do Hezbollah e o primeiro ataque direto ao Irã por 12 dias. Mas ele não contava em perder o status de melhor amigo dos Estados Unidos na região, agora o Catar, sem dúvidas, local em que está a maior base militar dos Estados Unidos e seus líderes.
Amanhã, sexta-feira, será anunciado o Nobel da Paz de 2025. E o favorito é... Donald Trump, que o cobiça desde que assumiu o segundo mandato, no começo deste ano.
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