Band Jornalismo

Cessar-fogo entre Israel, sírios, drusos e beduínos

O confronto começou na sexta-feira, quando um verdureiro druso foi atacado por beduínos na estrada para Damasco

Por Redação
REDAÇÃO

16/07/2025 • 18:03 • Atualizado em 16/07/2025 • 18:03

Moises Rabinovici
Cessar-fogo entre Israel, sírios, drusos e beduínos

Cessar-fogo entre Israel, sírios, drusos e beduínos

REUTERS/Mahmoud Issa

O confronto entre beduínos, drusos, exército sírio e forças israelenses acabou depois de cerca de 300 mortos, nesta quarta-feira. O cessar-fogo foi anunciado pela agência oficial síria SANA e o líder druso, sheik Yusuf al-Gharbua.

Compartilhar

O confronto começou na sexta-feira, quando um verdureiro druso foi atacado por beduínos na estrada para Damasco. Os drusos reagiram sequestrando vários beduínos. As duas minorias entraram em choque. O governo sírio mandou tropas para restabelecer a paz.

As tropas governamentais entraram em Sweida, que concentra a maioria drusa da Síria, uma divisão dos xiitas que teme ser perseguida pela maioria sunita do novo presidente Ahmed al-Sharaa. Foram atacadas e reagiram, atacando.

Os drusos israelenses pediram socorro pelos “irmãos sírios”. E Israel entrou nos combates com sua aviação, mirando tanques, veículos blindados e as caminhonetes com grupos de soldados armados de lança granadas e metralhadoras. O premiê Netanyahu advertiu a Síria que não abandonaria os drusos. E nesta quarta-feira, antes do cessar-fogo, a aviação israelense bombardeou o quartel-general do exército sírio e a vizinhança do palácio presidencial, em Damasco.

Centenas de drusos de Israel, espalhados por cidades nas colinas do Golã, romperam a zona-tampão com a Síria, em Majdal Shams, e partiram na direção de Sweida. Declararam-se em greve geral e proclamaram “dias de fúria”. Deputados drusos e líderes religiosos foram buscá-los de volta, com 300 guardas de fronteira.

O secretário de Estado estadunidense, Marco Rúbio, pediu à Síria e a Israel o cessar-fogo imediato. O presidente Donald Trump quer que o presidente Ahmed al-Sharaa e o premiê Netanyahu normalizem suas relações desde que visitou a Arábia Saudita, em maio. Os drusos são cidadãos israelenses e servem o exército. A maioria vota no Likud, que está no poder.

Quando o cessar-fogo entrou em vigor, muitos drusos sírios reverteram sua posição pró-israelense para pró-síria. Não querem parecer favoráveis à intervenção estrangeira ou que a sua lealdade à soberania da Síria seja contestada. Grupos civis em Sweida proclamaram a rejeição a um envolvimento externo que inflame as tensões.

O líder espiritual da comunidade drusa em Israel, sheik Muwaffaq Tarif, está agora pedindo uma manifestação maciça nas colinas do Golã, explicando: “O regime (sírio) tem que ser forçado a se retirar de Sweida, onde os drusos defendem a sua verdadeira sobrevivência”. Outro líder druso de Isfiya, no Monte Carmel, em Haifa, Monib Saba, descreveu os últimos combates como “limpeza étnica”, e não um conflito local.

O presidente Ahmed al-Sharaa prometeu integrar e proteger as minorias alawita, curda, cristã e drusa, pacificando a Síria depois de 54 anos de poder alawita de Hafez al Assad (30 anos) e do seu filho, Bashar al Assad (24), que fugiu para a Rússia quando os jihadistas entraram em Damasco, em 8 de dezembro de 2024, encerrando 13 anos de guerra civil.

Fique bem informado!

Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail

Escolha quais newsletters quer receber