Band Jornalismo

Chanceler argentino diz esperar "mudança de direção ideológica" no Brasil

Pablo Quirno critica rebaixamento de laços diplomáticos por Lula e diz que Buenos Aires não fará retaliação

Da redação
DA REDAÇÃO

05/08/2026 • 17:38 • Atualizado em 05/08/2026 • 17:38

Milei discursa sob o olhar de Flávio Bolsonaro durante convenção do PL em SP

Milei discursa sob o olhar de Flávio Bolsonaro durante convenção do PL em SP

Jean Carniel/Reuters

O ministro de Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, afirmou nesta quarta-feira (5), em Buenos Aires, que o governo de Javier Milei espera uma "mudança de direção ideológica" no Brasil após a eleição presidencial deste ano, ao comentar a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de rebaixar o nível da relação diplomática entre os dois países.

Compartilhar

Quirno disse que o desejo reflete a posição de Milei sobre o cenário político brasileiro. "É um desejo expressado pelo presidente Javier Milei e acredito que não devemos perder de vista que as reações argentinas nunca foram a nível diplomático", afirmou, em coletiva de imprensa.

Ao comentar o rebaixamento da relação bilateral decidido por Lula, o chanceler argentino argumentou que o Brasil enfrenta atritos com outros governos da região. "O Brasil também está tendo conflitos com diferentes países, como o Paraguai, o que indica que isso não é uma questão apenas com a Argentina", declarou.

Argentina lamenta decisão e diz que não reagirá

A manifestação do ministro ocorre após o governo Lula rebaixar o nível de representação diplomática bilateral e solicitar o retorno do embaixador brasileiro em Buenos Aires. Na avaliação de Quirno, a decisão foi unilateral e não terá resposta equivalente por parte da Argentina.

"A Argentina lamenta a decisão unilateral do Brasil. Acreditamos que esse não seja o caminho. Estamos sempre dispostos a manter as relações. Como disse recentemente em uma entrevista, da nossa parte não haverá nenhuma ação diplomática em resposta ao que o Brasil fizer", frisou o ministro. Ele acrescentou: "O Brasil tem todo o direito de tomar as decisões que entender. Nós continuaremos mantendo as relações no nível que o Brasil decidir. Ou seja, para brigar, são necessários dois. Não contem com a Argentina para isso".

Chancelaria critica isolamento por motivos ideológicos

Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira, o Ministério de Relações Exteriores argentino lamentou a decisão brasileira de "continuar se isolando do restante da região" por questões que o governo de Milei atribui a motivações "puramente ideológicas".

O documento ressalta que, nos últimos anos, houve "inúmeras declarações políticas cruzadas e apoios entre líderes de ambos os países" e afirma que, em todas essas ocasiões, Buenos Aires optou por não transformar os episódios em incidentes diplomáticos. "Em todos esses casos, sem exceção, a Argentina optou por não transformá-los em um incidente diplomático", registra a nota.

Relação bilateral em meio à eleição brasileira

As declarações de Quirno e o comunicado da chancelaria ocorrem em meio à campanha para a eleição presidencial brasileira, que pode redefinir o alinhamento político do país na América do Sul. Milei mantém discurso crítico a governos de esquerda da região e já havia sinalizado publicamente apoio a uma mudança de orientação em Brasília.

Enquanto isso, o governo argentino afirma querer preservar os canais de diálogo e separar a disputa política da gestão cotidiana da relação bilateral, marcada por forte integração comercial e energética entre os dois países.

Com informações do Estadão Conteúdo.