Band Jornalismo

Novo coronavírus é encontrado em morcegos no Brasil com traço similar ao da Covid

Estudo aponta presença de proteína associada à infecção por Sars-CoV-2, mas não há evidência de transmissão a humanos

Da redação
DA REDAÇÃO

01/11/2025 • 13:20 • Atualizado em 01/11/2025 • 13:27

Agente de saúde faz teste para covid

Agente de saúde faz teste para covid

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Cientistas identificaram um novo tipo de coronavírus em morcegos no Brasil com uma característica semelhante à do vírus que causa a Covid-19. A descoberta é preliminar e não há indícios de que o novo vírus possa infectar humanos.

Compartilhar

O estudo, publicado em 27 de outubro na plataforma científica bioRxiv, foi conduzido por pesquisadores do Japão, do Brasil e de outros países. O artigo ainda não passou por revisão de pares, etapa que valida oficialmente os resultados.

O novo coronavírus foi detectado em um morcego da espécie Pteronotus parnellii, coletado em Riachão (MA). Segundo os cientistas, o genoma do vírus, batizado provisoriamente de BRZ batCoV, tem semelhanças com o Sars-CoV-2 e o Mers-CoV, que causaram surtos anteriores de doenças respiratórias.

O ponto mais relevante da descoberta é a presença de uma sequência de aminoácidos que forma o chamado sítio de clivagem da furina, estrutura que permite ao vírus ativar sua proteína spike, o mecanismo que facilita a entrada em células humanas. Essa mesma estrutura está presente no coronavírus da Covid-19 e é associada à sua alta capacidade de transmissão.

Segundo o artigo, o achado ajuda a entender o potencial evolutivo de coronavírus em morcegos e reforça a importância do monitoramento genético desses animais, especialmente na América do Sul. Pesquisadores lembram que sítios de clivagem da furina também aparecem em vírus altamente patogênicos, como o da gripe aviária e o Ebola. No entanto, não há qualquer evidência de que o novo vírus infecte pessoas.

Os autores destacam ainda que mutações semelhantes podem ocorrer naturalmente em morcegos por recombinação genética, o que reforça o papel desses animais como reservatórios de vírus com potencial zoonótico. Até agora, a maioria dos estudos sobre coronavírus em morcegos se concentra em populações da Ásia, da África e do Oriente Médio. A descoberta no Brasil amplia o mapa global de vigilância e alerta para a necessidade de monitoramento constante na região.