
Nelsinho Trad (PSD-MS) ao lado de Jacques Wagner (PT-BA)
Saulo Cruz/Agência Senado
Embaixadores de países do Golfo Pérsico em Brasília procuraram a Comissão de Relações Exteriores do Senado para marcar um encontro com o presidente do colegiado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), a fim de discutir os impactos da escalada dos confrontos no Oriente Médio e os reflexos para a economia e o comércio com o Brasil.
Segundo apuração, as representações diplomáticas manifestam preocupação com a possibilidade de bloqueios aéreos e marítimos na região, o que poderia dificultar o transporte de mercadorias. Os diplomatas querem avaliar, em diálogo com o Congresso, alternativas para manter os fluxos de comércio e reduzir riscos logísticos.
O interesse dos países do Golfo se concentra em como driblar eventuais obstáculos às rotas utilizadas para exportação e importação de produtos, inclusive aqueles que passam por áreas sob tensão crescente. A expectativa é de que o encontro sirva também para reforçar a cooperação econômica com o Brasil em meio ao cenário de incerteza.
Brasileiros em áreas de conflito pedem ajuda
A Comissão de Relações Exteriores do Senado também tem sido procurada por brasileiros que vivem em regiões atingidas por bombardeios no Oriente Médio. Esses cidadãos buscam informações sobre a possibilidade de apoio para deixar as áreas de risco e retornar ao Brasil.
Os relatos que chegam ao colegiado mostram apreensão com a escalada dos confrontos e dúvidas sobre eventuais operações de resgate. Parlamentares querem saber de que forma o governo federal e o Itamaraty podem atuar para garantir a segurança dessa população.
Convocação de Mauro Vieira entra na pauta
Diante desse quadro, a comissão deve discutir em sessão desta quarta-feira uma possível convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Senadores pretendem ouvir detalhes sobre como o Itamaraty acompanha a situação dos brasileiros no Oriente Médio e quais medidas o governo adota para casos de emergência.
Um dos pontos de atenção é o Líbano, onde vive a maior comunidade de brasileiros na região, estimada em cerca de 22 mil pessoas. A vulnerabilidade desse grupo em eventual agravamento do conflito deve ser um dos temas centrais do debate com o chanceler.
A avaliação de integrantes da comissão é de que o esclarecimento público sobre os planos de contingência e os canais de atendimento aos brasileiros no exterior se tornou urgente, tanto pela pressão das famílias quanto pela preocupação crescente de países parceiros do Brasil no Golfo Pérsico.


