Toda a equipe se mobilizou quando alguns editores apresentaram o projeto. Lembro que a primeira ideia era produzir uma mesa redonda em Harvard. Outras ideias estavam na lista de articulistas, de alto nível, como o grande Otávio Paz, com aquele belo texto.
No fim, saiu nas bancas a brilhante edição sobre a democracia americana e seus valores - o exemplo que encantava os admiradores da democracia ocidental no mundo. A leitura ou releitura de livros, como a Democracia na América, de Tocqueville, era parte das comemorações. E daquele caderno.
Mas isso foi há 50 anos, no bicentenário dos Estados Unidos. Nenhum de nós, ali na redação do Jornal da Tarde, empolgados por aquele projeto - ou em qualquer outra redação, ou em qualquer lugar, ninguém poderia imaginar o que acontece agora: que os 250 anos chegariam com a democracia em crise e um governo agredindo o mundo com seus desmandos internos.
E ameaças e desatinos externos, com os avanços e recuos que viraram marca do presidente. Mas sempre alimentando tensões, pânicos e inseguranças. E tudo partindo a qualquer momento do Salão Oval da Casa Branca. Hoje comemorar o quê?
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