Numa das últimas entrevistas de Fernando Henrique, um Canal Livre já no final de seu segundo mandato, ele reconheceu que tinha deixado de lado a questão da segurança e previu que o próximo governo teria que fazer do tema uma prioridade.
Demorou - sempre com a ajuda da leitura do artigo 144 da Constituição, que coloca a função nas mãos dos Estados. Mas a realidade mudou muito, a sociedade reage. E essa reação cresce.
Numa pesquisa recente, 62% dos entrevistados das maiores cidades consideram o governo Lula "ruim" ou "péssimo" na segurança.
Isso aumentou 10% em 4 meses. Ninguém aguenta mais. E o Planalto tem que responder. A PEC da Segurança está aí.
O presidente da Câmara sinalizou total prioridade. A oposição vai atuar firme para fazer alterações. Governadores da oposição, como Ronaldo Caiado, reagem contra a PEC. Outro, Tarcísio de Freitas quer conversar.
O ministro Ricardo Lewandowski diz que a autonomia dos Estados não será tocada, na criação de padrões nacionais genéricos de ação. A PF se torna mais abrangente. Vamos ver.
A viabilidade política do projeto passa por uma eficiente discussão no Congresso.
O fato é que o crime se organizou, evoluiu, opera com competência, se comunicando no país todo.
Enquanto o Estado - que teoricamente detém o monopólio legítimo da força física - é derrotado todos os dias por outra força, a dos criminosos, que chegam a dominar setores da máquina estatal.
Não dá mais - é o recado das ruas, das praças e das casas.
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