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Com chegada de JD Vance à Suíça, EUA e Irã iniciam negociações de paz

As negociações ocorrem poucos dias após a assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerã

Da redação
DA REDAÇÃO

21/06/2026 • 09:56 • Atualizado em 22/06/2026 • 00:51

JD Vance enquanto aguarda para se reunir com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, para conversas de alto nível com o objetivo de avançar em um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio

JD Vance enquanto aguarda para se reunir com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, para conversas de alto nível com o objetivo de avançar em um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio

REUTERS/Nathan Howard

Resumo

Negociações entre Estados Unidos e Irã acontecem na Suíça com participação de mediadores do Catar e Paquistão, após fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã e aumento das tensões no Oriente Médio; delegações incluem líderes políticos e militares de ambos os países, como JD Vance, Mohammad Baqer Qalibaf, Shehbaz Sharif e Jared Kushner.

Memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerã estabelece prazo de 60 dias para acordo sobre programa nuclear iraniano e suspensão de sanções, com possibilidade de comprometer o documento caso Estados Unidos não cumpram compromissos; bloqueio do Estreito de Ormuz impacta mercados de energia e provoca ameaças de taxas sobre navegação por Donald Trump.

Conflito no Líbano permanece sem trégua apesar das negociações, com bombardeios israelenses atingindo 20 localidades e causando mais de 30 mortes no sábado, além de um total de 4.057 mortos desde março; tentativas de cessar-fogo fracassam repetidamente, com acusações do Hezbollah contra Israel e relatos de temor entre moradores locais.

Estados Unidos e Irã iniciam neste domingo (21), na Suíça, uma nova rodada de negociações para tentar encerrar o conflito no Oriente Médio. As conversas acontecem após a chegada do vice-presidente norte-americano, JD Vance, e em meio ao aumento das tensões provocado pela decisão de Teerã de voltar a fechar o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo e gás.

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Antes de embarcar para a Europa, Vance afirmou que a principal meta da delegação dos Estados Unidos é avançar nas discussões sobre o programa nuclear iraniano e buscar uma solução para os confrontos no Líbano.

"O foco será fazer progressos na questão nuclear e no cessar-fogo no Líbano. Esses são os dois principais temas das conversas", declarou o vice-presidente.

Vance desembarcou na manhã deste domingo na base aérea de Emmen. O enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, já estavam na Suíça participando das tratativas técnicas.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Irã, representantes do Catar e do Paquistão também participam das reuniões como mediadores. A delegação iraniana conta ainda com o presidente do Parlamento e chefe da equipe de negociação, Mohammad Baqer Qalibaf, o chanceler Abbas Araqchi e o presidente do Banco Central, Abdolnaser Hemmati.

O governo paquistanês confirmou a presença do primeiro-ministro Shehbaz Sharif e do comandante das Forças Armadas, Asim Munir.

As negociações ocorrem poucos dias após a assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerã. O documento estabelece um prazo de 60 dias para que os dois países tentem chegar a um acordo definitivo sobre o programa nuclear iraniano e a suspensão das sanções econômicas impostas ao país.

Estreito de Ormuz volta a gerar tensão

Na véspera do encontro, o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baqai, afirmou que o memorando poderá ser comprometido caso os compromissos assumidos pelos Estados Unidos não sejam colocados em prática rapidamente. A declaração foi feita em meio à continuidade dos confrontos entre Israel e o Hezbollah no Líbano.

Também no sábado (20), o governo iraniano anunciou um novo fechamento do Estreito de Ormuz, alegando que os ataques israelenses em território libanês representam uma violação do acordo firmado com Washington.

Em resposta, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos poderão impor uma taxa sobre a navegação na região caso as negociações fracassem.

"Não haverá pedágio no Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo de 60 dias, nem depois desse período, a menos que os Estados Unidos decidam implementá-lo se não houver acordo", escreveu o presidente norte-americano na rede Truth Social.

Durante boa parte da guerra, o bloqueio do estreito provocou instabilidade nos mercados internacionais de energia. Após a assinatura do memorando, o tráfego marítimo começou a ser retomado gradualmente.

Conflito no Líbano continua

Apesar da retomada das negociações diplomáticas, os combates no Líbano seguem sem trégua.

Um oficial do Exército israelense afirmou neste sábado que as Forças de Defesa de Israel receberam orientação do governo para interromper as operações militares no sul do país vizinho.

"As Forças de Defesa de Israel receberam diretrizes atualizadas das autoridades políticas para cessar o fogo", disse.

Entretanto, a imprensa estatal libanesa informou que cerca de 20 localidades foram atingidas por bombardeios israelenses ao longo do sábado. As autoridades locais registraram mais de 30 mortes.

De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, os ataques israelenses já deixaram 4.057 mortos desde o início da guerra, em 2 de março.

O Exército israelense também confirmou a morte de mais um militar, elevando para cinco o número de soldados mortos no Líbano desde o anúncio do memorando entre Irã e Estados Unidos.

O Hezbollah responsabilizou Israel por sucessivas violações dos acordos de cessar-fogo.

"Todo mundo está com medo", afirmou à AFP o morador Fadi Zayat, da cidade de Tayr Debba, no sul do Líbano.

"Voltamos para nossa cidade há poucos dias, mas mantivemos as malas prontas caso seja necessário fugir novamente. Esperamos uma decisão séria para pôr fim a esta guerra e retomar nossas vidas", acrescentou.

Embora o cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã no início de abril tenha sido amplamente respeitado pelos dois países, as tentativas de trégua no Líbano ainda não avançaram. Desde o início do conflito, três acordos foram anunciados, mas nenhum permaneceu em vigor por mais de algumas horas.

*Com informações do Estadão Conteúdo.