
A Organização Mundial da Saúde (OMS) planeja cortar seu orçamento em 20% e reduzir missões e pessoal, segundo um email interno atribuído ao diretor do órgão, Tedros Ghebreyesus, obtido por agências de notícias neste sábado (29/03).
A medida é reflexo da saída dos Estados Unidos, seu principal doador, da organização. A OMS prevê uma perda de 600 milhões de dólares (R$ 3,4 bilhões) em receitas e "não tem escolha" a não ser começar a fazer cortes, explicou Tedros no email.
O governo Trump se retirou da OMS ao assumir o cargo em janeiro deste ano, alegando que a agência global de saúde havia lidado mal com a pandemia da covid-19 e outras crises internacionais de saúde.
Os Estados Unidos são, de longe, o maior apoiador financeiro da agência, contribuindo com cerca de 18% de seu financiamento total.
"O anúncio dos EUA, combinado com as recentes reduções na assistência ao desenvolvimento de alguns países para financiar o aumento dos gastos com defesa, tornou nossa situação muito mais crítica", continuou o diretor.
"As perspectivas de ajuda ao desenvolvimento se deterioraram"
Em fevereiro, o Conselho Executivo da OMS já havia reduzido o orçamento proposto para 2026-2027 de 5,3 bilhões de dólares para 4,9 bilhões de dólares (R$ 30,5 bilhões para R$ 28,2 bilhões).
"Desde então, as perspectivas de ajuda ao desenvolvimento se deterioraram", observou Tedros, o que levou à decisão de propor um orçamento ainda menor aos Estados membros, na casa dos 4,2 bilhões de dólares (R$ 24,2). "Uma redução de 21% em comparação com o orçamento inicialmente proposto", explicou.
"Essas medidas serão implementadas primeiramente na sede, começando pelos líderes seniores, mas afetarão todos os níveis e todas as regiões", completou o diretor em sua mensagem.
Casa Branca formaliza planos para fechar a Usaid
A decisão da OMS acontece um dia após o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar planos para fechar definitivamente a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), formalizando os planos amplamente apresentados de cortar drasticamente os gastos com ajuda humanitária externa.
"Hoje, o Departamento de Estado e a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) notificaram o Congresso sobre sua intenção de realizar uma reorganização que envolveria o realinhamento de certas funções até 1º de julho de 2025", disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em um comunicado.
O Departamento de Estado, disse ele, também planeja "descontinuar as funções restantes da Usaid que não se alinham com as prioridades da administração".
"Infelizmente, a USAID se desviou de sua missão original há muito tempo”, continuou Rubio. "Como resultado, os ganhos foram muito poucos e os custos muito altos."
Também na sexta-feira, um tribunal federal de apelações dos Estados Unidos decidiu que o bilionário Elon Musk e o chamado Departamento de Eficiência Governamental (Doge), que ele dirige, têm permissão para expandir os cortes impostos à agência.
O painel de três juízes do 4º Tribunal de Apelações dos EUA, na Virgínia, disse que as iniciativas de corte de custos do Doge não violam a Constituição.
O despacho anula uma decisão anterior do juiz distrital dos EUA Theodore Chuang, em Maryland, que considerou que as tentativas de desmantelar a agência eram ilegais. Chuang entendeu que Musk estava agindo além de sua competência, já que não é um funcionário eleito e não foi confirmado pelo Senado.
Os cortes atingiram a agência logo após Trump assumir a Casa Branca, em janeiro. O congelamento da ajuda humanitária causou choques em projetos de ajuda humanitária que eram financiados pelos EUA em todo o mundo, incluindo o Brasil.
Antes de ser fechada, a agência gerenciava um orçamento anual de cerca de 43 bilhões de dólares (R$ 247 bilhões), sendo responsável por mais de 40% da ajuda humanitária mundial.
A maior parte da equipe foi colocada em licença administrativa logo após a posse de Trump. Nesta sexta-feira, os funcionários foram informados sobre os planos para eliminar todos os empregos não exigidos por lei.
gq (DW, AFP)
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