Band Jornalismo

Veja por que o cometa 3I/ATLAS não representa risco à Terra

Dados da Sala Digital mostram que o Brasil é o terceiro país mais curioso sobre o 3I/ATLAS, com buscas focadas em risco de colisão e teorias de que seria uma nave

Babi Fava
BABI FAVA

20/11/2025 • 16:58 • Atualizado em 20/11/2025 • 16:58

3IATLAS

3IATLAS

Reprodução/Nasa

O universo é repleto de mistérios e, de tempos em tempos, um viajante interestelar cruza nossa vizinhança cósmica. O cometa 3I/ATLAS, originado em torno de outra estrela, surgiu em 2025 como um fenômeno astronômico capaz de fascinar o mundo e despertar curiosidade intensa.

Compartilhar

Segundo dados da Sala Digital, o Brasil ocupa a terceira posição em interesse pelo 3I/ATLAS nos últimos 30 dias no Google, atrás apenas da Costa Rica e do Chile. A atenção nacional, no entanto, revela uma mistura de fascínio e ansiedade.

Os brasileiros têm buscado informações sobre a natureza do cometa, seu risco de colisão e até teorias de que seria uma sonda alienígena. Cientificamente, o 3I/ATLAS é o terceiro objeto interestelar já identificado, uma “cápsula do tempo” de gelo e poeira ejetada de outro sistema planetário há bilhões de anos. Seu núcleo mede entre 320 metros e 5,6 quilômetros, consideravelmente maior que os dois objetos interestelares anteriores.

O cometa já passou pelo periélio — ponto mais próximo do Sol — em 29 e 30 de outubro de 2025. Já sua máxima aproximação da Terra ocorrerá em 19 de dezembro, mantendo uma distância segura de cerca de 270 milhões de quilômetros.

Embora tenha emitido sinais de rádio de radicais de hidroxila, esses são fenômenos naturais relacionados à sublimação do gelo e não indicam tecnologia alienígena.

Grande parte das buscas brasileiras reflete preocupação com possíveis ameaças. Perguntas como “3I/ATLAS pode atingir a Terra?” ou “é uma nave?” demonstram ansiedade diante do desconhecido. Cientistas, porém, asseguram que o risco de colisão é ínfimo, já que o cometa segue uma trajetória hiperbólica a cerca de 61 km/s, o que torna qualquer mudança de curso praticamente impossível.

A confusão sobre alertas da NASA também gerou pânico. A agência apenas participou de uma campanha de observação da Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN) para medir com precisão a posição do objeto e entender o efeito de jatos de gás e poeira. Não houve protocolo de defesa planetária ou ameaça direta à Terra.

Teoria da conspiração

A teoria de que o 3I/ATLAS seria uma “sonda alienígena” ganhou visibilidade em artigos especulativos, mas a maioria dos astrônomos descarta a hipótese. O cometa apresenta características típicas de corpos naturais: possui coma de poeira, sobreviveu à passagem pelo periélio sem se fragmentar e tem composição química incomum.

Observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) mostraram que a nuvem de gás ao redor do núcleo é dominada por dióxido de carbono (CO₂) em proporção oito vezes maior que a água, com traços de níquel, evidenciando um ambiente de formação estelar diferente do nosso. Estima-se que o 3I/ATLAS tenha 7 a 10 bilhões de anos, possivelmente mais antigo que o Sol.

Em outras palavras, o cometa não é um objeto artificial, mas um fóssil cósmico, um registro químico e físico de outra galáxia, que chega até nós como um “diamante bruto” formado nas condições extremas de outro sistema estelar.

O legado do 3I/ATLAS

A detecção de emissões de radicais de hidroxila representa uma descoberta inédita: é a primeira vez que um corpo interestelar apresenta esse tipo de sinal. Embora natural, o fenômeno reforça a singularidade científica do cometa e gerou comparações com o Sinal Wow!, registrado em 1977, mas sem relação direta comprovada.

O 3I/ATLAS proporciona, assim, uma oportunidade única de estudar a química e a dinâmica de um objeto oriundo de outro sistema estelar, reforçando o valor do conhecimento sobre a formação de planetas e sistemas solares.