
Mulheres empreendedoras se reúnem em São Paulo
Édrian Santos/Band
Como uma mulher empreendedora pode ajudar outra, também empreendedora? A resposta é simples. Trata-se de apenas um verbo: comprar. É nisso que a empresária Tatyane Luncah, fundadora e CEO da Escola Brasileira de Empreendedorismo Feminino (Ebem), acredita como uma das ações primordiais para começar a fazer a diferença na vida daquelas que sonham em mudar de vida com o próprio negócio.
A declaração da Tatyane foi dada enquanto mediava palestrantes na quarta edição do “Conexão Ebem”, considerado o maior evento do Brasil voltado para o empreendedorismo feminino. Os temas debatidos nos painéis são vários, até porque a programação de dois dias conta com 50 oradores. Entre os temas, pautas tributárias, sobre inteligência artificial, comércio e vendas.
“Se quiser ajudar outra mulher, compre dela, prestigie-a, divulgue-a. Se a gente tem a opção de comprar de empresas que têm um serviço excelente, que você conhece a dona e que você pode ajudar naquela economia, por que você vai comprar, de repente, de uma empresa multinacional, em vez de movimentar a nossa economia?”, disse Tatyane em entrevista ao Band.com.br.
Mulher enfrenta mais desafios
No contexto em que, no Brasil, a mulher trabalha cerca de 10 horas a mais que homens em serviços domésticos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tempo que, muitas vezes, soma-se ao trabalho convencional, empreender e ter sucesso pode ser uma alternativa para mulheres mudarem de vida. Tatyane também comentou o assunto ao falar com o Band.com.br.
“A gente ensina, cada vez mais, a mulher a ter alta performance e mais produtividade, e, claro, selecionar muito bem os parceiros para fazer essa divisão de tarefas, o que não é só uma responsabilidade feminina. Entretanto, no momento, a gente ainda está engatinhando. Nós, mulheres, temos 18% de tempo a menos que os homens. Então, não tem jeito. Ou a gente chora, ou a gente se torna com mais alta performance, mais produtiva e vai mudando o mundo por meio do conhecimento, por meio até dos homens que são aliados”, considerou a empresária.

Tatyane Luncah é fundadora e CEO da Ebem (Édrian Santos/Band)
Uma pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), de 2023, mostra que 68% dos homens recebem mais apoio dos parceiros contra 61% das mulheres. O estudo também mostra que cerca de ¼ das empreendedoras sofreu preconceito, simplesmente, por ser mulher nos próprios negócios, além do fato de que 76% delas sentem sobrecarga ao tentarem equilibrar os cuidados familiares e a empresa, enquanto o indicador dos homens chega 55%.
“Acreditar nas mulheres”
Na toada das declarações da Tatyane, a empresária Camila Gentile, proprietária da maior rede de vendas de produtos eróticos do país, ressaltou a importância da união das mulheres para a economia, seja como um pontapé para a melhora de vida delas, seja como uma força essencial para a geração de emprego e renda. Na prática, é algo que contribui para o crescimento do país como um todo.
“Acho que faz total sentido estar aqui porque você acaba trazendo novas oportunidades para o seu negócio e levando novas oportunidades para o negócio de outra mulher. A gente tem que acreditar nas mulheres, fazer esses vínculos. Eu sou uma pessoa consumidora bairrista. Eu acredito no meu bairro, nas pessoas ao meu redor. Acho que a oportunidade você tem que dar para quem estar no mesmo pensamento que você”, avaliou Camila.
O que é o “Conexão Ebem”
O Conexão EBEM é um evento para mulheres empresárias que querem aprender e crescer nos negócios. Em 2025, durante dois dias, empreendedoras compartilham histórias e estratégias. A quarta edição acontece nos dias 29 e 30 de abril, no Tokio Marine Hall, com palestras e, obviamente, conexões entre as participantes.

Mulheres empreendedoras participam do Conexão Ebem 2025, em São Paulo (Édrian Santos/Band)
Nas edições anteriores, o evento recebeu palestrantes renomadas como Luiza Helena Trajano, do Magalu, e Chieko Aoki, do Blue Tree Hotels.
Estimativas do governo federal indicam que há 10,3 milhões de mulheres empreendedoras no Brasil, o que inclui as trabalhadoras informais.

