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Como deixar uma nação para nossos descendentes?

Eduardo Oinegue analisa o crescimento econômico brasileiro dos últimos anos

Por Redação
REDAÇÃO

14/10/2025 • 23:09 • Atualizado em 14/10/2025 • 23:09

Eduardo Oinegue

O modelo de desenvolvimento adotado pelo Brasil já mostrou que não é dos mais eficientes, pelo menos pra promover o crescimento econômico, não funciona direito. Até porque crescimento econômico a gente consegue medir. E o crescimento do Brasil dá vergonha. Pega a última década. Crescimento médio do PIB no Brasil: 1% em média por ano. Pega os últimos 20 anos, dá uma melhorada um bocadinho, tal, mas 1,5% em média por ano.

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Se você ainda tem dúvida, olha o bloco que mais cresceu nesse período, que são os países emergentes. O Brasil é um país emergente. Aí quando a gente tira o Brasil do grupo, o grupo cresce. Coloca o Brasil, o grupo fica menor, menor no crescimento. Então, nos últimos 10 anos e também nos últimos 20 anos, os emergentes sem o Brasil cresceram quatro, cinco vezes mais do que a gente como média anual.

Dá para achar que a gente tá no caminho certo? Dá para achar que a gente tá seguindo o caminho correto? O caminho do endividamento público, do déficit orçamentário, da carga tributária cada vez mais alta, da taxa de juros campeã mundial, das regras inconsistentes, da insegurança jurídica.

A gente teve nos últimos 30 anos dois presidentes que foram impichados, um presidente que foi preso, agora um que foi condenado por tentativa de golpe de Estado. É o caminho do chacoalhão atrás de chacoalhão que tem que ser repensado.

Claro que tem uma meia dúzia de indicadores bons, você pega o desemprego que é baixo, mas os movimentos para transformar o país inexistem. Não vêm da esquerda, inexistem. Não vêm da direita, inexistem.

Do que que a gente tá falando? A gente tá falando de algo que pode ser conferido no trabalho de três economistas. Um deles também historiador. É um holandês, um canadense e um francês, ganhadores do Prêmio Nobel de Economia. Eles estudaram a conexão entre o crescimento dos países, o progresso e uma lista de fatores que disparam esse sucesso econômico. Passa por juntar conhecimento científico e conhecimento prático, troca de ideias na produção científica sem preconceito, sem dogma, liberdade de ação, incentivo à pesquisa, incentivo para criar uma sociedade mais permeável às mudanças.

É uma lista extensa que passa pelo fortalecimento de instituições. Uma linha de pesquisa, instituições sólidas, que vem sendo trabalhada desde os anos 80, os anos 90. Rendeu um prêmio Nobel de Economia para um economista americano lá atrás, chamado Douglas North, já falecido.

Uma sociedade só consegue chegar num patamar avançado, que é esse defendido pelo trio ganhador do Nobel, se for estável, se respeitar contratos, se tiver regras claras, regras permanentes. Se apostar na iniciativa privada, se colocar o Estado a serviço do progresso, não das corporações. Tudo aquilo que a gente precisa construir aqui no Brasil.

Ah, dá pra viver sem isso? Claro que dá, sempre dá, a gente tem vivido. Mas se a ideia for deixar de ser um país com crescimento medíocre como esse que a gente viu, se a ideia for deixar para os nossos descendentes uma nação, é hora de mudar a qualidade do debate e mudar muito.

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