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Bab el-Mandeb: como é o estreito que pode ser bloqueado por aliado do Irã

Estreito de Bab el-Mandeb é uma das principais rotas marítimas do mundo, por onde passam cerca de 12% do petróleo comercializado por via marítima globalmente

ESTADÃO CONTEÚDO

16/07/2026 • 16:29 • Atualizado em 16/07/2026 • 16:29

Estreito de Bab el-Mandeb

Estreito de Bab el-Mandeb

REUTERS/File Photo

O Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Golfo de Áden ao Mar Vermelho, tornou-se mais um possível alvo do Irã em meio ao conflito com os Estados Unidos. A agência de notícias Reuters afirmou, nesta quinta-feira (16), que Teerã pediu que os houthis, grupo de rebeldes do Iêmen, se preparem para fechar a via marítima caso os EUA ataquem a infraestrutura de energia iraniana.

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Com 32 quilômetros de largura, o Estreito de Bab el-Mandeb - cujo nome significa "a porta das lágrimas" em árabe - está situado entre o Iêmen, a nordeste, e Djibuti e Eritreia, a sudoeste. Ele é uma das principais rotas marítimas do mundo, por onde passam cerca de 12% do petróleo comercializado por via marítima globalmente.

A Administração de Informação Energética dos EUA (EIA, na sigla em inglês) estima que cerca de 4,2 milhões de barris de petróleo e derivados passaram pelo estreito por dia no primeiro semestre de 2025, colocando-o em quarto lugar entre os principais "pontos de estrangulamento" do comércio mundial de energia. A passagem também é utilizada por embarcações que transportam outros produtos, como grãos e matérias-primas.

Os houthis controlam a capital, Sanaa, e o noroeste do Iêmen, incluindo o litoral do Mar Vermelho. O grupo já realizou centenas de ataques contra navios que trafegavam pelo Bab el-Mandeb, mas a ofensiva ganhou força a partir de 2023, após o início do conflito entre o grupo terrorista Hamas, aliado dos houthis, e Israel. Os rebeldes alegavam que o objetivo era pressionar os israelenses a aceitar um cessar-fogo - alcançado em outubro do ano passado.

Duas fontes iranianas de alto escalão e uma fonte regional familiarizada com o assunto disseram à Reuters, sob condição de anonimato, que líderes iranianos discutiram a possibilidade de bloquear o Bab el-Mandeb caso os EUA atacassem a infraestrutura energética do país e, recentemente, transmitiram a mensagem aos aliados houthis.

Outra fonte, próxima aos rebeldes, afirmou à agência de notícias que o grupo concluiu os preparativos para atacar navios na via marítima, com a implantação de mísseis e drones próximos ao estreito, e aguardava a ordem para iniciar a operação. Segundo a Reuters, a decisão final será tomada por líderes da Guarda Revolucionária do Irã, que já estão no Iêmen.

Essa não é a primeira vez que os houthis ameaçam fechar o Bab el-Mandeb em apoio ao Irã. Em março, a agência estatal iraniana Tasnim afirmou que os rebeldes estariam prontos para assumir o controle do estreito "para punir ainda mais o inimigo". Na época, um oficial iraniano, que não teve a identidade revelada, disse à Tasnim que os houthis já haviam comprovado que fechar a rota "é uma tarefa fácil para eles".

As ameaças levaram a Administração Marítima dos EUA, órgão ligado ao Departamento de Transportes, a emitir um aviso para as embarcações comerciais que passam pela região.

"Embora o grupo terrorista houthi não tenha atacado navios comerciais desde o acordo de cessar-fogo entre Israel e Gaza em outubro de 2025, os houthis continuam a representar uma ameaça aos ativos dos EUA, incluindo embarcações comerciais, nesta região", afirmou.

"Embarcações com ligações a Israel, aos EUA ou ao Reino Unido, e qualquer embarcação pertencente a uma frota de grupo ou empresa que faça escalas em portos israelenses, podem estar sob alto risco de terrorismo e outras ações hostis por parte dos houthis ao transitarem pelo sul do Mar Vermelho, pelo Estreito de Bab el-Mandeb e pelo Golfo de Áden, até novo aviso", acrescentou. O aviso entrou em vigor em 26 de março e é válido até 22 de setembro.

Um bloqueio do Bab el-Mandeb aumentaria ainda mais a crise energética global, desencadeada pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã no primeiro dia da guerra com os EUA. A rota marítima chegou a ser reaberta após a assinatura do memorando de entendimento entre os dois países, no mês passado, mas voltou a ser bloqueada após a retomada das hostilidades no início de julho.