
Irã
Agência Brasil
Uma palavra, “foco”, salvou as negociações entre Irã e EUA marcadas para às 10h desta sexta-feira (3h da manhã no Brasil), em Mascate, no Sultanato de Omã. Estarão à mesa para debate as milícias iranianas no Oriente Médio e o alcance dos mísseis balísticos iranianos, mas o “foco” será o programa nuclear do Irã.
O mesmo peso que era dado às milícias, mísseis e à nuclearização do Irã afastaram o chanceler iraniano Abbas Araghchi das negociações na tarde de ontem. O secretário de Estado Marco Rubio cancelou o encontro quando só baseado no programa nuclear. Entraram em cena nove países muçulmanos, pedindo aos EUA para ouvir o Irã. Foi então que surgiu o “foco” e os assuntos periféricos, e o encontro acabou remarcado.
As negociações serão frente a frente, Araghchi de um lado e o representante da Casa Branca, Steve Witkoff, e Jarred Kushner, genro do presidente Trump, do outro. O prognóstico, segundo contou ao jornal Yedioth Ahronoth o especialista em Irã do National Secutiry Studies, Danny Citrinowicz, tem três cenários:
“O primeiro: amanhã será o primeiro e último encontro. O segundo: amanhã será o primeiro encontro e as partes concordam em se reunir novamente. O terceiro: amanhã será divulgado um comunicado informando que as partes concordaram em acalmar a situação e avançar rumo a um acordo”.
Para Citrinowicz, os EUA querem evitar que as negociações fracassem, deixando-os numa situação de um confronto “sem vitória.” O Irã vai dar seus 440 quilos de urânio enriquecido e permitirão a volta dos inspetores da Agência Internacional Atômica, mas não quer reduzir o alcance de seus mísseis, a dissuasão contra ataques israelenses.
Em Jerusalém, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu antecipou a reunião dominical de seu gabinete de segurança para a tarde desta quinta-feira. A surpresa foi a revelação da pauta, no final do encontro: “o status financeiro da Autoridade Palestina”. Terá faltado “foco”, que seriam as negociações Irã-Estados Unidos desta sexta-feira? Israel é contra os mísseis balísticos iranianos que podem atingir o seu território, com alcance de mil quilômetros. E faz algum tempo que está em alerta máximo contra um ataque iraniano, em retaliação a um ataque americano.
A Comissão de Defesa e de Assuntos Estrangeiros do Parlamento fez nesta quinta-feira mais cedo um debate, a portas fechadas, sobre um acúmulo de condições que levam a uma massa crítica capaz de provocar a queda do regime iraniano. Segundo o Canal 12, Netanyahu disse aos deputados que Israel está preparado para dar um “duro golpe” no Irã, se atacado -- e “muito maior” do que na Guerra de 12 dias de junho passado.
O chanceler alemão Friedrich Merz, em Doha, no Catar, pediu ao Irã que se dedique, “verdadeiramente”, às negociações, porque há um “grande receio de escalada militar na região”. E apelou: “Pare o seu programa nuclear e evite novas ameaças militares” -- contra Israel e outros países da região.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber


