
Doação de sangue no Brasil
Fernando Frazão / Agência Brasil
Resumo
Estatísticas da doação de sangue: Até maio de 2025, o Brasil registrou 831.518 bolsas de sangue coletadas e 3.178.138 transfusões realizadas, apresentando um aumento de 2,9% em relação ao ano anterior. A taxa de doação voluntária se manteve em 1,6% da população, conforme a meta mínima da OMS.
Funcionamento dos bancos de sangue: Os bancos de sangue no Brasil, coordenados pelo Ministério da Saúde e integrados ao SUS, são cruciais para cirurgias, tratamentos e emergências, operando sob rígidos protocolos para garantir a segurança do sangue coletado e distribuído.
Processo e critérios para doação: A doação de sangue envolve cadastro, triagem, coleta de cerca de 450 ml de sangue, testes para doenças transmissíveis e processamento em componentes. Doadores devem atender a critérios específicos de idade, peso e saúde para contribuir.
Até maio de 2025, o Brasil coletou 831.518 bolsas de sangue, enquanto o total de transfusões realizadas chegou a 3.178.138 — um aumento de 2,9% em relação ao ano anterior. Em 2024, foram registradas 3.310.025 doações, alta de 1,9% em comparação com 2023. A taxa de doação voluntária permanece em 1,6% da população, dentro da meta mínima recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere entre 3% e 5% para garantir a segurança dos estoques.
O que são os bancos de sangue?
Os bancos de sangue no Brasil são serviços essenciais de saúde responsáveis por coletar, processar, testar, armazenar e distribuir sangue e seus componentes para hospitais e unidades médicas. Eles são fundamentais para cirurgias, tratamentos crônicos, emergências e atendimentos oncológicos.
Todo o sistema funciona de forma gratuita e voluntária, integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A coordenação é feita pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Anvisa e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, por meio da Hemorrede Nacional. O sangue não pode ser vendido nem comprado, e o processo de coleta segue protocolos rigorosos para garantir a segurança de doadores e pacientes.
Como é feito o processo de doação?
A doação começa com cadastro e triagem clínica, onde o doador responde a perguntas sobre sua saúde e histórico médico. Se estiver apto, são coletados cerca de 450 ml de sangue, além de amostras para exames laboratoriais. O sangue passa por testes para detectar doenças transmissíveis como HIV, hepatites B e C, sífilis e HTLV.
Em seguida, é processado e separado em hemácias, plasma e plaquetas, que são armazenados e distribuídos conforme a necessidade dos pacientes. Todo o material usado é esterilizado e descartável, e o procedimento completo dura cerca de 40 minutos.
Quem pode doar sangue?
Para doar sangue no Brasil, é necessário atender a critérios como:
- Ter entre 16 e 69 anos (menores de 18 precisam de autorização dos responsáveis);
- Pesar mais de 50 kg;
- Estar em boas condições de saúde no momento da doação;
- Estar alimentado e descansado;
- Apresentar documento oficial com foto.
Há restrições temporárias, como febre, uso de certos medicamentos ou viagens recentes ao exterior, além de restrições definitivas, conforme o histórico médico e hábitos do doador.
Para que o sangue doado é usado?
O sangue doado é usado em:
- Cirurgias de grande porte;
- Tratamento de anemias graves e doenças hematológicas, como leucemia e talassemia;
- Acidentes, queimaduras e emergências;
- Transfusões para gestantes e recém-nascidos.
Cada bolsa de sangue pode beneficiar até quatro pessoas, já que seus componentes são utilizados de forma separada.
Estoques e emergências regionais
Os estoques de sangue variam ao longo do ano, com quedas frequentes durante feriados, férias escolares e surtos respiratórios. No início de 2025, por exemplo, o Hemocentro de Ribeirão Preto (SP) operava com níveis críticos para os tipos A‑, B‑ e O‑, com estoques entre 20% e 50% do ideal.
A recomendação é que a doação seja feita de forma regular. Homens podem doar até quatro vezes por ano, com intervalo mínimo de 60 dias; mulheres, até três vezes ao ano, com intervalo de 90 dias.
Quem coordena os bancos de sangue?
A Hemorrede Nacional é coordenada pelo Ministério da Saúde, com regulação da Anvisa. A estrutura é composta por:
- Hemocentros públicos, como o Hemorio (RJ) e a Fundação Pró-Sangue (SP);
- Bancos de sangue hospitalares;
- Serviços privados habilitados.
Todas essas unidades seguem protocolos unificados de coleta, testagem, processamento e distribuição de sangue e seus derivados.

