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Como ler 3 milhões de páginas de Epstein? O Times explica

Da redação
DA REDAÇÃO

13/02/2026 • 14:09 • Atualizado em 13/02/2026 • 14:09

Moises Rabinovici
Jeffrey Epstein

Jeffrey Epstein

Divulgação

Os três milhões de páginas, 180 mil fotos e dois mil vídeos sobre Jeffrey Epstein liberados em 30 de janeiro nos EUA, se empilhados, empatam em altura com o prédio de 102 andares e 443 metros do Empire State, no centro de Manhattan.

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Problema para a imprensa: como pesquisar nessa montanha de informações distribuídas em diversos formatos?

O jornal New York Times contou aos leitores, nesta sexta-feira, como ainda não digeriu todo o material -- mas, sim, boa parte dele, entre 2 a 3 por cento. Preparou-se, prevendo o tsunami Epstein, desde dezembro, quando o Departamento de Justiça liberou uma primeira parte dos arquivos.

O Times reuniu um time de mais de 20 repórteres investigativos, editor de Inteligência Artificial, outros editores e engenheiro da área de notícias interativas. Treinaram com documentos do Departamento de Justiça liberados antes, criaram aplicativos específicos e ferramentas para vídeos, imagens, emails e mensagens.

Primeiro, foi preciso engolir as três milhões de páginas no programa elaborado pelo Times para o tornar pesquisável. Levou cerca de dez horas. Então, começou a pescaria, com nomes como isca: Trump, Clinton, Gates, Duque de York... Só de Trump retornaram 38 mil referências, mas muitas em artigos de revistas e jornais que Epstein compartilhava com seu clube de ricos mundo afora.

A equipe do Times encontrou muitas duplicatas, detalhes sem contexto, postagem viral e censura inconsistente. Uma delas, destacada na reportagem, envolveu uma brasileira. “Um exemplo notório foi um e-mail que descrevia uma mulher brasileira como ‘=9 anos’, quando o sinal de igual (‘=’) era um erro evidente, já que outra versão do documento dizia ‘19 anos’”.

Outra dificuldade: “Partes dos documentos foram tarjadas de preto pelo Departamento de Justiça para proteger a identidade das vítimas de agressão sexual. Há também casos de censura malfeita, em que informações sensíveis — incluindo fotos de nudez — foram divulgadas e posteriormente removidas. Como você deve noticiar documentos com trechos censurados ou verificar as informações?”

E o imprevisível: a Inteligência Artificial, às vezes, alucina: “Também houve desinformação em torno das censuras, com pessoas alegando ser possível ‘desfazer’ as tarjas usando IA ou outras técnicas. Criamos uma ferramenta que verificou todas as três milhões de páginas em busca dessas supostas censuras reversíveis e não encontramos nenhuma. Em muitos casos, o que vemos em alguns vídeos online é, na verdade, uma alucinação da IA sobre o que ela presume estar sob a ‘caixa preta’ (tarjas) da censura.”

O Times continua garimpando a montanha de documentos de Epstein. As novidades vão aparecendo em conta-gotas praticamente todos os dias.

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