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"Como ser Promovida?": Busca dispara 22% e revela teto de vidro de R$ 40 mil

O aumento das buscas reflete não apenas a ambição feminina, mas também a persistência da desigualdade salarial: mulheres chegam a ganhar até R$ 40 mil a menos por ano em cargos de direção

Babi Fava
BABI FAVA

25/10/2025 • 18:29 • Atualizado em 25/10/2025 • 18:29

Mulheres na gestão de condomínios aumentam e São José terá o 1° Encontro de Síndicas

Mulheres na gestão de condomínios aumentam e São José terá o 1° Encontro de Síndicas

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Pela primeira vez, o interesse por “como ser promovida?” superou o de “como ser promovido?” no Google Trends, com vantagem de 22% em 2024.

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A diferença indica um comportamento relevante: mais mulheres estão procurando ativamente entender os caminhos para o avanço na carreira. Em um cenário em que elas compõem 40,6% da força de trabalho, a tendência aponta para uma ambição que cresce em ritmo semelhante ao desafio da desigualdade.

O teto de vidro que custa R$ 40 mil

O levantamento da Sala Digital expõe como a urgência dessa busca é compreensível, uma vez que o anseio nasce de uma realidade fria e desigual: onde o homem sobe um degrau, a mulher encontra um obstáculo financeiro e estrutural.

Apesar do aumento da participação feminina no mercado de trabalho, a desigualdade salarial persiste. Nos estabelecimentos com 100 ou mais empregados, as mulheres recebem, em média, 20,9% a menos que os homens. Se esse desequilíbrio fosse corrigido, R$ 95 bilhões teriam sido injetados na economia brasileira em 2024. Pense no potencial transformador desse capital.

A dor é mais aguda no topo. Para quem mira cargos de direção, o custo da desigualdade é literalmente a perda de uma fortuna: entre diretores e gerentes, a diferença de remuneração chega a R$ 3.328 por mês, o que representa cerca de R$ 40 mil a menos por ano para as mulheres nessas funções. Essa é a âncora invisível que as tenta prender.

A situação é ainda mais grave para as mulheres negras, cuja remuneração média de R$ 2.864,39 é drasticamente inferior à dos homens. Homens não negros chegam a ganhar 115% a mais que elas.

A jornada dupla: o imposto oculto sobre o tempo

O que torna a escalada feminina tão exaustiva não é apenas a diferença salarial, mas o “imposto do tempo” não remunerado. Liderar na empresa muitas vezes significa ser “gerente” em casa.

Em 2022, segundo o IBGE, elas dedicaram, em média, 9,6 horas a mais por semana que os homens aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas. Esse tempo, equivalente a cerca de 499 horas a mais por ano, é um recurso precioso que poderia ser investido em qualificação, networking ou descanso.

Por isso, mesmo em altos cargos de direção na administração federal (DAS 6), apenas 10,2% das mulheres tinham filhos menores de idade, ante 24,7% dos homens. A maternidade, que deveria ser vista como um superpoder de soft skills, ainda é tratada como um freio invisível.

A boa notícia é que a busca intensa por promoção reflete não apenas o reconhecimento da injustiça, mas um movimento estratégico de superação.

Onde o sistema tenta limitar, o mercado de conhecimento aponta para a expansão. Os termos mais buscados em “cursos para mulheres” incluem áreas tradicionalmente masculinas e de alto valor, como marcenaria, eletricista, programação, TI e liderança. As mulheres estão investindo em capacitação contínua e na formalização de seus próprios negócios — o empreendedorismo feminino atingiu recorde de 10,35 milhões de empreendedoras em 2024.

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