
Disco de Vinil
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Resumo
Tendência do uso de mídias analógicas, como discos de vinil, vitrolas e câmeras instantâneas, cresce globalmente, com destaque para o Brasil entre os países com maior interesse, segundo dados do Google Trends, refletindo uma performance simbólica, além do uso prático.
Declarações do escritor e influencer André Timm apontam que esse movimento não é um retorno definitivo às mídias analógicas, mas um sintoma cultural e performático, resultado de uma oposição inconsciente ao digital e de uma resposta à fadiga causada pelo excesso de telas.
Busca por objetos analógicos é motivada por fadiga digital, proporcionando experiências sensoriais e materialidade em oposição ao virtual, sendo percebida como um refúgio temporário e não uma substituição permanente das mídias digitais.
Discos de vinil, vitrolas, câmeras analógicas e fotografia instantânea: será que o mundo está passando por um marco histórico e voltando para a era das mídias analógicas? Ou não passa de consumismo nostálgico e ato performático das novas gerações?
André Timm, escritor e influencer, questiona a tendência enquanto movimento histórico e classifica mais como sintoma cultural do nosso tempo.
"Não acredito que caminhamos para um retorno definitivo, isso seria um movimento histórico. O que vivemos é um sintoma cultural, um resultado dos lugares onde essas tensões se encontram. Acho improvável que a curva dos produtos analógicos supere a dos digitais no tempo em que vivemos, que é essencialmente um tempo de telas", defende André Timm.
Dados do Google Trends analisados pela Sala Digital mostram alta no interesse de buscas com mídias e produtos analógicos nas últimas décadas em todo o mundo. O interesse por câmeras instantâneas e vitrolas nunca estiveram tão em alta quanto agora, são o dobro de buscas do que há 20 anos.

As buscas por discos de vinil atingiram a máxima de interesse entre 2017 e 2018, embora haja uma queda nos últimos anos, o interesse global segue mais alto que na década passada. O Brasil está entre os 3 países que mais buscam por discos de vinil no mundo. Diferente dos outros países, no ano passado, o vinil registrou o maior nível de busca no Google aqui no Brasil.
Performance simbólica
Termos como “vinil decorativo” e “vinil para parede” estão em ascensão, e ajudam a dar contorno à dimensão simbólica para além da utilidade dos “bolachões”. Encher as estantes ou decorar as paredes com vinil é mais do que uma performance estética, defende Timm, essa performance é uma resposta a algo mais profundo.
"Adotamos esse ato performático como uma oposição ao digital, de forma inconsciente. Essas decisões vão se cristalizando até parecerem uma mudança de rumo. Para mim, o performático é perfeitamente aceitável, pois ele é o resultado de algo que veio antes — uma resposta à fadiga digital", afirma Timm.
Fadiga Digital
Fadiga ou estafa digital é um conceito relativamente novo e ganhou tração durante a pandemia, quando as relações sociais passaram a ser cada vez mais mediadas pelas telas em função do lockdown. Reuniões, happy hours, encontros familiares e aulas foram forçadas a caber nas telas, tendo como efeito a exaustão do uso dessas tecnologias.
Para o escritor: "as pessoas parecem estar saturadas de telas e da predominância do algoritmo ditando e atravessando a vida de inúmeras formas. Existe um diagnóstico de estafa e, nesse sentido, é compreensível que haja uma busca pelo analógico como contraponto”.
Muito além da nostalgia dos chiados na vitrola e do clique fotográfico, os sons, o tato, os cheiros, dão materialidade para as coisas em um mundo cada vez mais digital.
“Para mim, isso é diferente de um 'retorno ao analógico'. Um retorno seria sair do estado digital para voltar ao analógico, como deixar os celulares de lado para usar o telefone fixo. O que vejo é uma fuga temporária, um refúgio no analógico contra essa fadiga digital", finaliza o escritor.
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