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Conflito comercial entre Brasil e EUA se agrava e exige cautela do governo

O governo brasileiro afirma que as consultas diplomáticas visam ao diálogo e às negociações entre as partes

Da redação
DA REDAÇÃO

14/08/2026 • 08:32 • Atualizado em 14/08/2026 • 08:32

Sonia Blota
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

REUTERS/Evan Vucci

Brasil e EUA seguem com relações estremecidas entre seus governos e sem sinal de trégua. Ontem, o Palácio do Planalto informou ter notificado os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade do Brasil devido ao tarifaço comercial de Trump e solicitou a realização de consultas diplomáticas.

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O Brasil já tem uma consulta aberta na Organização Mundial do Comércio — a OMC — justamente questionando as tarifas americanas. Agora, Brasília usa a Lei da Reciprocidade Econômica, que foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada em 2025. Isso significa que o governo brasileiro pode adotar contramedidas diante de ações de outros países que possam prejudicar a competitividade brasileira. A principal medida prevista é a imposição de tarifas para importação de bens e serviços dos Estados Unidos.

Mas a lei é abrangente: o Brasil pode também suspender concessões comerciais e de investimentos e obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual. O governo brasileiro afirma que as consultas diplomáticas visam ao diálogo e às negociações entre as partes. O anúncio não significa uma ação imediata brasileira. Mesmo assim, a decisão do Brasil vai contra os interesses da iniciativa privada, que teme uma escalada ainda maior do conflito e uma reação mais forte do governo americano, que pode prejudicar ainda mais os seus negócios.

Em outro capítulo da guerra tarifária, um relatório divulgado pelo governo americano inclui o Brasil em uma lista de mais de 40 países, com a acusação de ajudar a China e burlar tarifas de importação. A União Europeia também está neste relatório. A prática é conhecida como “transbordo comercial”, em que um país usa intermediários para escoar sua produção e evitar tarifas ainda maiores.

No momento, o relatório é mais uma pressão, mas isso pode culminar em mais tarifas ainda para o nosso país. Apesar de toda a agressividade do governo Trump, o Brasil precisa jogar xadrez. Nem reagir com o fígado, nem usar este assunto como bandeira em eleição. É sério o que acontece entre os dois países. Os EUA são nosso segundo parceiro comercial, maior investidor direto no país e ainda são a maior potência militar e econômica do planeta. O caminho passa pela diplomacia e muita conversa.

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