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Conflito no Oriente Médio atinge energia global e eleva petróleo

O Líbano continua sob ataque de Israel, que promete eliminar o Hezbollah, milícia apoiada pelo Irã

Da redação
DA REDAÇÃO

19/03/2026 • 08:54 • Atualizado em 19/03/2026 • 08:54

Sonia Blota
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Irã dispara mísseis contra Israel

Irã dispara mísseis contra Israel

REUTERS/Jamal Awad

Vigésimo dia da guerra no Oriente Médio. Bombas continuam caindo por toda região e não há nenhum sinal de que o conflito desescale. Ao contrário: na manhã desta quinta-feira (19) foram ouvidas explosões em Tel Aviv. O Líbano continua sob ataque de Israel, que promete eliminar o Hezbollah, milícia apoiada pelo Irã.

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E, na noite desta quarta, o tom da guerra subiu: após Israel ter atacado as instalações de gás iranianas no complexo South Pars — um dos maiores campos de gás natural do mundo —, Teerã respondeu violentamente, atacando todos os países do Golfo.

No Catar, a cidade industrial de Ras Laffan, a maior instalação de gás liquefeito do mundo, foi atingida por mísseis e drones iranianos. Segundo a estatal de energia catari, os danos às instalações foram extensos. O Catar divide com os Estados Unidos a primeira posição de exportador de GNL do planeta.

Teerã foi além: atacou instalações de petróleo no Kuwait (duas refinarias), nos Emirados Árabes e na Arábia Saudita — uma refinaria de petróleo no Mar Vermelho.

Riad vem escoando por um oleoduto boa parte de seu petróleo (mais de 5 milhões de barris) que não pode sair pelo Golfo para o Mar Vermelho, devido ao bloqueio no Estreito de Ormuz. Atingir este alvo geográfico é mais um duro baque nas rotas de escoamento de petróleo para o mundo.

As reações dos mercados do planeta foram imediatas. O barril do tipo Brent — a referência internacional do petróleo — subiu para 114 dólares, uma alta de 7 por cento em apenas 24 horas. O preço do gás aqui na Europa, só hoje, sobe 35 por cento. E os consumidores, que já estão lesados pela inflação dos últimos anos, com poder de compra reduzido, já temem o repasse destes preços.

Em relação a esta escalada, o presidente Donald Trump reagiu: falou que nem Estados Unidos e nem o Catar foram avisados dos ataques israelenses às instalações de gás iranianas.

Trump disse que Israel não vai mais atacar instalações de gás no Irã, mas que, se Teerã continuar com estes bombardeios, os Estados Unidos, sem consultar nenhum aliado, vai dizimar todo complexo energético iraniano, de importância vital para a economia iraniana. Tudo isso vem do complexo de South Pars: gás para geração de energia termelétrica, para indústria, aquecimento das casas e até o gás de cozinha.

Apesar do presidente americano alegar desconhecimento dessa operação, há relatos de que Israel teria informado previamente Washington. É a famosa guerra de informações, onde a verdade precisa ser bem apurada.

Ontem, o ex-diretor do centro americano de contra-terrorismo, Joseph Kent — que pediu demissão após afirmar que o Irã não era uma ameaça iminente para os EUA e que essa guerra foi iniciada pelo lobby judeu, inclusive espalhando desinformação —, deu entrevista de que não há relatórios de inteligência dos Estados Unidos indicando que o Irã estava desenvolvendo armas nucleares. Nem nessa guerra e nem em junho do ano passado, quando as instalações iranianas foram bombardeadas. Kent afirmou também que as retaliações do Irã aos países do Golfo já eram previstas.

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