A instabilidade geopolítica no Oriente Médio pode ter reflexos diretos e severos na economia brasileira nas próximas semanas. Em entrevista à BandNews TV, o especialista em finanças Benny Fard traçou um cenário de alerta para o consumidor e para o mercado financeiro nacional, apontando que a escalada das tensões pode frustrar as expectativas de queda na taxa de juros.
Segundo a análise de Fard, o primeiro e mais imediato impacto de um agravamento no conflito é a pressão inflacionária impulsionada pela alta do petróleo.
"Isso pode, em semanas, começar a desencadear um eventual aumento de preços na gôndola do supermercado e nos combustíveis", explicou o especialista. A lógica econômica é direta: como o petróleo é a base da cadeia logística e de produção global, a alta no preço do barril encarece o transporte e a fabricação de insumos, custo que é repassado ao consumidor final.
Fard destacou ainda um ponto sensível para o agronegócio brasileiro: o risco de encarecimento de insumos derivados do petróleo, como fertilizantes, o que afetaria o custo de produção de alimentos no país.
Ameaça aos planos do Banco Central
Durante a entrevista, foi levantada a preocupação sobre como esse cenário externo afeta a política monetária brasileira. O Brasil convive atualmente com uma taxa de juros (Selic) em patamares elevados, e o mercado aguardava o início de um ciclo de cortes a partir de março.
No entanto, o especialista alerta que a "importação" dessa inflação global pode forçar o Banco Central a mudar de rota.
"Uma inflação mais alta pode fazer com que o Copom (Comitê de Política Monetária) retarde o corte da taxa básica de juros brasileira", afirmou Fard. Ele ressalta que o Brasil já possui um dos maiores juros reais do mundo, e a manutenção dessa taxa em níveis altos por mais tempo — como mecanismo de defesa contra a inflação — prejudica o crescimento econômico e o acesso ao crédito.
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