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Sertanejo EMB-721C: aeronave que caiu em BH é chamada de 'trator dos ares'

Acidente aéreo ocorreu em Belo Horizonte (MG) nesta segunda-feira (4)

Da redação
DA REDAÇÃO

04/05/2026 • 14:46 • Atualizado em 05/05/2026 • 10:13

O mercado da aviação executiva no Brasil possui ícones que ultrapassam gerações, e o Neiva EMB-721C, popularmente conhecido como Sertanejo, é um dos maiores exemplos. Fabricado sob licença da norte-americana Piper Aircraft, o modelo foi a resposta da indústria nacional para a necessidade de uma aeronave robusta, capaz de operar em pistas precárias e transportar cargas pesadas com segurança.

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Na tarde desta segunda-feira (4), uma aeronave deste modelo se envolveu em uma tragédia em Belo Horizonte (MG). A aeronave, prefixo PT-EYT, caiu no bairro Silveira, na região Nordeste de Belo Horizonte, atingindo um prédio residencial na rua Ilacir Pereira Lima. O acidente, que mobilizou diversas viaturas do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, resultou na morte do piloto e deixou outros três ocupantes em estado grave.

Lançado na década de 1970 pela Indústria Aeronáutica Neiva, subsidiária da Embraer, o Sertanejo é a versão brasileira do Piper Cherokee Six. O modelo que colidiu com um prédio, em BH, foi fabricado em 1979. Sua principal característica é a versatilidade. Com um motor Lycoming de 300 hp, a aeronave foi projetada para não "escolher caminho", sendo ideal para pousos em pistas de terra, grama ou cascalho — realidade comum em muitas fazendas e cidades do interior do país.

Com capacidade para até sete ocupantes (um piloto e seis passageiros), o modelo se destaca pelo espaço interno. Diferente de outros monomotores da época, o Sertanejo permite configurações flexíveis, onde os assentos podem ser removidos para dar lugar ao transporte de insumos, peças de maquinário agrícola ou mantimentos.

O EMB-721C não é conhecido pela velocidade de cruzeiro extrema, mas sim pela sua força de subida e estabilidade. Confira os dados principais:

Motorização: Lycoming IO-540 (300 hp)

Velocidade de Cruzeiro: 270 km/h (146 nós)

Alcance Máximo: Cerca de 1.400 km

Peso Máximo de Decolagem: 1.542 kg

Configuração: Asa baixa e trem de pouso fixo

Até hoje, o Sertanejo é uma das aeronaves mais valorizadas no mercado de usados. Para o setor aeroagrícola e para o deslocamento de proprietários de terras, o custo-benefício de manutenção e a facilidade de encontrar peças no Brasil o mantêm como uma opção estratégica.

Além do uso privado, o modelo desempenhou papel fundamental na integração regional, servindo como táxi-aéreo em áreas onde a aviação comercial de grande porte não consegue chegar. Sua cabine larga e os dois compartimentos de bagagem (um à frente e outro atrás da cabine) garantem que o modelo continue sendo, décadas após o fim de sua produção, um protagonista nos céus do Brasil.